Aliados de Bolsonaro fazem último esforço com convite assinado por Trump para presença na posse

Eduardo Bolsonaro e Donald Trump Jr. buscam apresentar novo documento ao ministro Moraes

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) estão tentando garantir que o ex-presidente brasileiro receba um convite formal de Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, para a cerimônia de posse que ocorrerá em Washington no dia 20 de janeiro. A ideia é que esse gesto simbólico ajude a convencer o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a autorizar a devolução do passaporte de Bolsonaro, atualmente retido, permitindo que ele viaje até a capital americana.

De acordo com fontes próximas ao ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente e secretário de relações institucionais do PL, entrou em contato diretamente com Donald Trump Jr., filho do ex-presidente dos EUA, para viabilizar o convite. A defesa de Bolsonaro apresentou à Corte um e-mail com o convite para a posse, mas Moraes exigiu mais provas e encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se manifestasse sobre o pedido.

Bolsonaro, indiciado por tentativa de golpe de Estado, tem o passaporte retido pela Justiça desde fevereiro de 2023, após uma operação da Polícia Federal (PF) investigar possíveis preparativos para ações antidemocráticas.

Após os advogados de Bolsonaro apresentarem o pedido para que o ex-presidente participasse da posse de Trump, Moraes afirmou que a solicitação estava incompleta, uma vez que o e-mail enviado não trazia informações suficientes, como a data e o local do evento, e vinha de um “endereço não identificado”.

Na segunda-feira, a defesa de Bolsonaro reiterou que o convite é o próprio e-mail enviado. Em entrevista à colunista Bela Megale, o ex-presidente negou qualquer intenção de usar a viagem como uma oportunidade para deixar o Brasil:

— Eu vim dos EUA pra cá correndo todos os riscos que vocês estão vendo. Não vou me submeter a uma fuga. Eu não vou fugir. Eu fui convidado. O Lula não foi. É um sinônimo de prestígio. O Trump vê em mim uma liderança na América Latina — afirmou Bolsonaro.

Nos Estados Unidos, a tradição diplomática é que chefes de Estado não sejam convidados pessoalmente para a cerimônia de posse. Normalmente, o governo americano notifica as embaixadas sobre o evento, e os países são representados por seus embaixadores. No entanto, alguns aliados próximos de Trump, como o presidente da Argentina, Javier Milei, receberam convites para a cerimônia.

Aliados de Bolsonaro afirmam que, como convidado para a posse de Trump, ele teria o direito de levar um acompanhante, sendo que Michelle Bolsonaro, sua esposa, o representaria no evento caso ele não pudesse comparecer.

Além disso, fontes próximas à família informam que Flávio e Eduardo Bolsonaro estão convidados para o jantar pós-cerimônia na Casa Branca. Michelle também deve participar do evento, reforçando a intenção de fortalecer a cooperação com o governo Trump, mesmo que o ex-presidente não possa estar presente fisicamente.