Chuva forte em SP faz moradores receberem ‘alerta severo’ inédito no celular e deixa 166 mil sem luz

Notificação funciona pela tecnologia "cell broadcast", não requer instalação de aplicativo, e opera via localização dos aparelhos por torres de transmissão

Um forte temporal alagou ruas, avenidas e estações de trem e metrô na capital paulista na tarde desta sexta-feira, arrastando carros em enxurradas e obrigando passageiros a se equilibrarem em bancos e corrimões dentro de estações alagadas.

Defesa Civil de São Paulo emitiu, às 15h56, um alerta via SMS à população sobre fortes chuvas e rajadas de vento na cidade. A mensagem recomendava procurar abrigo e se manter em local seguro. O temporal deixou 166.245 imóveis sem luz na área de concessão da Enel, segundo o boletim divulgado pela empresa às 17h30. Antes da chuva, eram pouco mais de 25 mil clientes da distribuidora sem energia elétrica.

O dispositivo da Defesa Civil, que funciona pela tecnologia “cell broadcast”, não requer instalação de aplicativo e opera via localização dos aparelhos por torres de transmissão. Ela mostra o alerta na tela de bloqueio do celular.

Alerta inédito em SP — Foto: Reprodução
Alerta inédito em SP — Foto: Reprodução

A prática de emitir alertas diretos é corriqueira em países como Estados Unidos e Japão, onde são comuns furacões e terremotos. Mas a tecnologia paulistana, desenvolvida no Brasil, é inédita e se difere das demais utilizadas pelos órgãos municipal, estadual e federal para alerta a população em situações, por exemplo, de chuva intensa, risco de inundação e de desabamento.

De acordo com a entidade, o alerta levou em conta a avaliação risco hidrológico e o deslocamento de Áreas de Instabilidade. “O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), emitiu um Aviso de Alerta 102/2025, com Movimentos de Massa – Alto e Aviso de Alerta 391/2025, com Risco Hidrológico – Alto”, informou a Defesa Civil sobre o alerta preventivo.

O Centro de Gerenciamento de Emergências da prefeitura (CGE) registrava oficialmente 16 pontos de alagamento às 17h30, dos quais 11 foram classificados como “intransitáveis”. Os piores pontos se concentravam nas zonas Oeste e Norte da cidade. Os arredores do Allianz Parque, na Zona Oeste, onde a banda americana Twenty One Pilots se apresenta no domingo, ficaram completamente embaixo da água. O Beco do Batman, na Vila Madalena, também se transformou em um rio e diversos carros foram arrastados.

No Metrô, a circulação de trens chegou a ser interrompida na Linha 1-Azul no trecho entre Tucuruvi e Jardim São Paulo-Ayrton Senna por conta do alagamento na segunda estação, que foi completamente tomada pela água. O problema também impactou na operação da Linha 2-Verde, atrapalhando a volta para casa daqueles que saíam do trabalho no fim da tarde.

A circulação de trens também foi interrompida na linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), no trecho entre as estações Botujuru e Campo Limpo Paulista “por motivo de alagamento na via”.

Os diversos alagamentos e problemas no transporte público impactaram no trânsito da cidade, que somava mais de mil quilômetros de congestionamento às 17h40, de acordo com a medição oficial da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Na Zona Norte, parte do teto do shopping Center Norte desabou por causa das chuvas. A administração do estabelecimento informou que ninguém ficou ferido.

Dois pousos e duas decolagens foram cancelados no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul. De acordo com a concessionária que administra o espaço, a Aena, os cancelamentos seguiram “decisão operacional” e o aeroporto “opera normalmente”.

Em nota, a Enel informou que havia mobilizado “antecipadamente suas equipes para restabelecer a energia aos clientes impactados pelas chuvas”.