Fala de Kassab gera reclamação de Lula a ministro, adiando encontro com presidente do PSD

Dirigente diz que Lula seria derrotado nas urnas hoje e chama Haddad de "fraco"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua insatisfação com as críticas públicas feitas pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, ao governo. Durante uma conversa no Palácio do Planalto, Lula comentou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que as declarações de Kassab foram excessivamente duras, especialmente em relação ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Em um evento com investidores em São Paulo, na quarta-feira, Kassab afirmou que, se a eleição fosse realizada naquele momento, Lula perderia. Ele também fez duras críticas a Haddad, chamando-o de “ministro fraco”.

Silveira, que é o membro do PSD mais próximo de Lula, foi quem recebeu essas queixas do presidente na quinta-feira. Na sexta-feira, Silveira e Kassab almoçaram juntos em Brasília. Segundo fontes que estavam presentes na conversa entre Lula e Silveira, o presidente fez suas críticas de maneira mais branda. No entanto, assessores do Palácio do Planalto destacaram que Lula estava, sim, chateado com os comentários de Kassab. O presidente reconheceu que Kassab tem a liberdade de opinar sobre o governo, mas considerou que ele deveria ter expressado suas opiniões de forma privada, e não publicamente.

Esse episódio gerou um clima diferente do que Lula demonstrou em uma coletiva de imprensa no Planalto, na quinta-feira, quando respondeu ironicamente à previsão de que ele seria derrotado se a eleição fosse hoje.

— Quando vi a previsão de Kassab, comecei a rir. Olhei no calendário e vi que a eleição só será daqui a dois anos, então não me preocupei, porque, no momento, não há eleição — comentou Lula. — Eu acho que ele foi injusto com Haddad. Eu posso ter uma crítica pessoal contra alguém, mas não posso ignorar que ele foi o responsável por coordenar a PEC da Transição no início do nosso governo.

A troca de críticas pode adiar o encontro previamente planejado entre Lula e Kassab. Inicialmente, uma reunião entre ambos foi marcada para o dia 23 de janeiro, mas acabou não ocorrendo. A conversa tinha como objetivo discutir questões relacionadas à reforma ministerial, um assunto que tem gerado debate, com o PSD pressionando por uma revisão nos cargos ocupados na Esplanada, o que reflete uma insatisfação dentro da bancada do partido na Câmara.

No PSD, aliados de Lula tentaram suavizar as declarações de Kassab, dizendo que o dirigente ainda quer ver o petista como candidato à presidência em 2026, enquanto Tarcísio de Freitas disputaria a reeleição como governador de São Paulo. Para eles, as críticas visam estimular o governo a agir com mais assertividade e a tomar as rédeas das mudanças necessárias, incluindo a reforma ministerial. Essas críticas ocorreram logo após uma pesquisa da Quaest mostrar uma queda de 5 pontos na aprovação do governo Lula, de 52% para 47%.

O PSD ocupa atualmente três ministérios no governo Lula: Minas e Energia, Pesca e Agricultura. Recentemente, Kassab indicou interesse em trocar o ministério da Pesca, comandado por André de Paula, pela pasta do Turismo, liderada por Celso Sabino, do União Brasil. O Ministério do Turismo possui um orçamento três vezes maior que o da Pesca, segundo as previsões para este ano enviadas ao Congresso, que ainda precisam ser aprovadas. Isso incluiria a possibilidade de alocar recursos para eventos e shows, áreas com grande apelo junto ao eleitorado.