PM investigado como possível segundo executor de Gritzbach participa de audiência

Ruan Silva Rodrigues, suspeito de ser um dos atiradores de Gritzbach, é preso e ouvido no DHPP

O policial militar Ruan Silva Rodrigues, de 32 anos, suspeito de ser um dos responsáveis pelos disparos que mataram Vinícius Gritzbach, passou por uma audiência de custódia no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta quarta-feira (22/1). Ele foi preso na noite anterior, em 21 de janeiro, após um mandado de prisão expedido pelo DHPP. A prisão aconteceu dentro do 20º Batalhão de Polícia Militar, em Barueri, onde o PM trabalhava.

Essa prisão de Ruan Silva Rodrigues é a mais recente em uma série de detenções relacionadas à morte de Gritzbach. O primeiro policial militar preso por suspeita de envolvimento no assassinato foi o cabo Dênis Antonio Martins, detido no dia 16 de janeiro. Na mesma data, outros 15 policiais foram investigados, sendo dois deles presos, incluindo o tenente Fernando Genauro da Silva, de 33 anos, que seria o motorista do veículo usado no crime.

As investigações, que começaram com a operação Prodotes em março de 2024, revelaram uma rede de vazamentos de informações sigilosas por parte de policiais militares. Esses vazamentos favoreciam integrantes do PCC, permitindo que criminosos evitassem prisões. Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão na capital e Grande São Paulo.

Além de Gritzbach, os policiais investigados também eram responsáveis pela escolta do delator, e a apuração apontou que o envolvimento desses PMs com o PCC caracterizava um vínculo entre a organização criminosa e a corporação, conforme a Lei Federal nº 12.850/13. A colaboração com a investigação foi reforçada por uma força-tarefa da Secretaria da Segurança Pública (SSP), que busca identificar outros envolvidos no caso.

Vinícius Gritzbach, de 38 anos, foi assassinado em 8 de novembro de 2024, na frente de sua namorada e de diversas testemunhas, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele foi alvo de 29 tiros de fuzil. Gritzbach havia sido jurado de morte pelo PCC e estava retornando de uma viagem ao Nordeste, onde passou uma semana acompanhado de sua namorada e seguranças privados, incluindo um policial militar.

Em sua delação, Gritzbach revelou detalhes sobre atividades ilícitas envolvendo a facção criminosa, como lavagem de dinheiro e extorsões cometidas por policiais civis. Os policiais investigados tanto da Polícia Civil quanto da Militar foram afastados de suas funções enquanto a força-tarefa segue investigando o caso. A Polícia Militar, por meio de nota, reiterou seu compromisso com a ética e com o combate a qualquer ato que comprometa a confiança da sociedade.