Nesta quarta-feira, parlamentares da oposição expressaram preocupações sobre a imparcialidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR). Para eles, o julgamento do ex-presidente já começa com uma condenação implícita.
O líder do PL na Câmara, coronel Zucco (RS), e o líder da sigla no Senado, Rogério Marinho (RN), pediram uma discussão sobre a concessão de anistia para os investigados e condenados pelos eventos de 8 de janeiro. Eles defenderam a necessidade de “justiça” para aqueles que receberam sentenças severas.
“Achamos que quem cometeu erros deve ser responsabilizado, mas não é justo impor penas de 17 ou 15 anos. Precisamos de pacificação, mas também de justiça. Muitos estão insatisfeitos com o judiciário parcial. Como confiar em uma corte de ministros que critica abertamente o ex-presidente, como fez (Flávio) Dino? Como esperar imparcialidade?” questionou o líder no Senado, Rogério Marinho.
Coronel Zucco, por sua vez, acrescentou que, além das declarações de ministros, as recentes decisões da Corte o fazem duvidar da possibilidade de uma defesa justa para Bolsonaro.
“As últimas decisões do STF nos fazem perguntar se haverá realmente um espaço para a defesa de Bolsonaro ou se ele já está condenado a penas de 20, 30, 40 anos. Ele será julgado por aqueles que se orgulham de sua derrota nas urnas”, afirmou.
Referindo-se a uma declaração do ministro da Defesa de Lula, José Múcio, que afirmou que não houve tentativa de golpe em 8 de janeiro, Zucco pediu que o debate sobre o tema fosse conduzido sem polarização política.
“Nunca houve uma ameaça de golpe. Precisamos conversar de maneira despolitizada e sem polarização”, concluiu Zucco.