Após operação contra acusados por Gritzbach, diretor de presídio é afastado com apreensão de celulares e dinheiro

Corregedoria e MP-SP apreendem 23 celulares, mais de R$ 20 mil e cédulas de dólar e euro em penitenciária da Zona Norte

Guilherme Solano, diretor do Presídio Especial da Polícia Civil de São Paulo, situado na Zona Norte da capital, foi destituído de seu cargo após uma operação realizada pela Corregedoria da Polícia Civil com o apoio do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Durante a ação, foram encontrados diversos aparelhos celulares e grande quantia em dinheiro escondidos na unidade. A operação, que ocorreu nesta terça-feira, inicialmente visou os policiais civis Valdenir Paulo de Almeida, conhecido como “Xixo”, e Valmir Pinheiro, apelidado de “Bolsonaro”, ambos integrantes do Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc).

Eles estão detidos desde setembro, acusados de fazer parte de uma organização criminosa responsável por crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, usura e crimes contra a administração pública. As investigações foram impulsionadas por uma delação de Antonio Vinicius Gritzbach, ex-membro de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC, que foi assassinado em novembro, após deixar o Aeroporto de Guarulhos.

Durante a operação, as autoridades apreenderam 23 celulares, 14 carregadores, 26 fones de ouvido, 11 smartwatches, R$ 21.672,15 em espécie, cédulas de dólar e euro, um notebook e porções de substâncias entorpecentes no presídio. A unidade, que é administrada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), abriga atualmente 69 policiais detidos. Até o fechamento desta reportagem, a SSP não havia se manifestado sobre o caso.

Além das buscas no presídio, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP e a Corregedoria da Polícia Civil realizaram buscas adicionais contra o delegado de classe especial Alberto Pereira Matheus Junior. Ele é investigado por supostamente ter recebido pagamentos de dois subordinados, também presos, que foram implicados nas investigações originadas pela delação de Gritzbach: o delegado Fabio Baena e o investigador Eduardo Monteiro.

Além de Xixo e Bolsonaro, cinco outros policiais civis estão detidos em decorrência das investigações relacionadas ao caso de Gritzbach, incluindo Baena, Monteiro, e os investigadores Marcelo Ruggieri (conhecido como Xará), Marcelo de Souza (Bombom), e Rogério de Almeida (Rogerinho). Também estão detidos quatro civis suspeitos de envolvimento no assassinato de Gritzbach e 17 policiais militares, três dos quais teriam participação direta na execução do delator (dois delatores e um motorista), enquanto os outros 14 estavam envolvidos na escolta clandestina contratada por Gritzbach para sua família.

O inquérito policial militar sobre a atuação dos PMs foi encaminhado à Justiça Militar na quarta-feira. O documento, ao qual o GLOBO teve acesso, indicia 14 PMs pelo crime de organização criminosa e três por formação de quadrilha com o objetivo de praticar violência, conforme o artigo 150 do Código Penal Militar.

Em seu depoimento à Corregedoria, o 1° tenente Giovanni de Oliveira Garcia, chefe da escolta privada de Gritzbach, admitiu que sabia das atividades ilícitas tanto do delator, membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), quanto dos policiais civis envolvidos.