As eleições inéditas da bancada evangélica desta terça-feira ocorrem apenas entre dois candidatos, após uma desistência. A deputada Greyce Elias (Avante-MG) abriu mão de sua postulação e apoiará Gilberto Nascimento (PSD-SP), que tem ao seu lado a ala bolsonarista. A bancada está dividida entre ele e Otoni de Paula (MDB-RJ), que fez acenos recentes ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O acordo foi costurado durante uma reunião às portas fechadas. Otoni não foi convidado para a conversa onde se chegou ao consenso.
O deputado do PSD ganhou o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que orientou a bancada do PL a dar suporte a ele. Outras lideranças bolsonaristas estão ao seu lado como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. O postulante, contudo, esquiva-se do rótulo de bolsonarista e fez sua campanha pautada em sua experiência parlamentar de “ancião”, por ter participado da fundação da frente, em 2003.
Nos bastidores, especulava-se sobre uma possível aliança entre Nascimento e Greyce, mas ambos negavam essa possibilidade, apesar dos elogios mútuos.
— Tenho admiração pelo trabalho do Gilberto e por sua trajetória na vida pública, mas não conversamos sobre isso — afirmou Greyce Elias ainda na segunda-feira.
Tradicionalmente, a Frente Parlamentar Evangélica escolhe seus líderes por consenso. Em 2023, diante da falta de unanimidade, Otoni retirou sua candidatura e foi estabelecido um acordo de presidência alternada entre Eli Borges (PL-TO) e Silas Câmara (Republicanos-AM). Esse histórico é um dos fatores que explicam o apoio dos atuais dirigentes a Otoni. No entanto, ele enfrenta forte resistência da ala bolsonarista, que ameaça deixar a bancada caso ele seja eleito, temendo um alinhamento com o governo federal.