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Em cerimônia com Lula, Nísia faz anúncio de novas vacinas e se despede

Por Brasil Direto

Com a decisão sobre sua demissão já tomada e o nome de seu sucessor definido, mas sem a confirmação oficial por parte do presidente, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, cumpre nesta terça-feira, 25, o que pode ser sua última agenda no Palácio do Planalto. Em sua despedida ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, Nísia participará de um evento no Salão Leste, onde assinará portarias para o desenvolvimento de vacinas contra a dengue, o influenza H5N8 e o vírus sincicial respiratório (VSR), além de ampliar a oferta de insulina no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na véspera, o Ministério da Saúde ainda estava distribuindo convites para a cerimônia intitulada “Parcerias que fortalecem o SUS: produção e inovação local para garantir o acesso à saúde”, marcada para as 11h. O convite destacava a importância da presença de Lula, pedindo aos convidados que chegassem com uma hora de antecedência. Informações vazadas indicam que Lula, apesar de já ter escolhido Alexandre Padilha como o novo ministro das Relações Institucionais, ainda não conversou com Nísia, o que gerou desconforto na ministra.

A insatisfação de Nísia com o tratamento que tem recebido ao longo dos últimos meses é evidente, e ela pretende discutir o assunto com o presidente. Sua saída tem gerado críticas, especialmente por parte de membros de sua equipe, que veem a situação como uma “fritura” política. Muitos consideram que a crise enfrentada no Ministério da Saúde está mais relacionada à articulação política do governo com o Congresso, sob responsabilidade de Padilha, do que à gestão da própria pasta.

Ainda não há definição sobre quem substituirá Padilha nas Relações Institucionais. O Centrão, que almejava o controle da Saúde, agora foca na articulação política, com nomes do PT sendo cogitados. O próprio Padilha, ex-ministro da Saúde no governo Dilma, tem forte apoio dentro da pasta e de aliados como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Enquanto isso, figuras como Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde, também foram sugeridas para substituir Nísia. No entanto, Lula, pressionado pela queda em sua popularidade, optou por um perfil mais político para o cargo, considerando a relevância do Ministério da Saúde tanto na gestão de recursos quanto na recuperação de sua imagem.

Desde o ano passado, o presidente vinha cobrando Nísia pela execução do programa Mais Acesso a Especialistas, criado para diminuir o tempo de espera para consultas e exames, mas que ainda não atingiu seu objetivo em todo o país. Enquanto isso, a Secretaria de Comunicação Social do governo optou por rebatizar o programa, considerando o nome original pouco eficaz e sem apelo popular. Para reforçar a imagem do governo, o Farmácia Popular ganhou destaque na publicidade, com a promessa de oferecer 100% dos medicamentos gratuitamente.

Durante a cerimônia de despedida, Nísia fará um balanço de suas realizações no Ministério da Saúde, destacando o progresso na produção das vacinas que serão incorporadas ao SUS. Entre as principais conquistas, está a vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa WuXi Biologics, e a vacina para grávidas contra o vírus respiratório que afeta bebês. Ambas devem ser disponibilizadas ainda no primeiro semestre de 2025, com aprovação da Anvisa para a vacina contra a dengue já em fase final de avaliação.

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