Líder do PCC envolvido em morte de delator é visto em evento com membros do CV no Rio

Cigarreira passou a estar presente na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, logo após o assassinato de Vinícius Gritzbach

O traficante Emílio Carlos Gongorra Castilho, também conhecido como Cigarreira, foi novamente avistado no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, no último final de semana. Membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), Castilho é acusado pela Polícia Civil de São Paulo de ser o responsável pelo assassinato de Vinícius Gritzbach, que foi executado no Aeroporto de Guarulhos depois de delatar membros do PCC.

Conforme o que foi revelado pelo jornal O GLOBO, Cigarreira passou a circular pela Vila Cruzeiro, localizada no Complexo da Penha, logo após o assassinato. Neste domingo, segundo informações de fontes da polícia fluminense, o traficante paulista foi visto em um pagode na comunidade, acompanhado de integrantes do Comando Vermelho (CV), facção rival.

Essa aproximação de Cigarreira com criminosos do CV ocorre em um momento de negociações para uma trégua entre as facções. As autoridades afirmam que o traficante paulista desempenha um papel crucial nas tratativas, funcionando como um intermediário entre os dois grupos.

Castilho teria se abrigado na Vila Cruzeiro após o homicídio de Gritzbach. A comunidade é um dos principais redutos do CV no Rio de Janeiro, e o principal nome da facção carioca na região, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, também reside ali.

O traficante paulista integrava o núcleo do PCC ligado a Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, que foi morto a tiros em dezembro de 2021. Gritzbach foi acusado de ser o responsável pela morte de Cara Preta após causar um prejuízo de R$ 300 milhões ao criminoso em uma negociação envolvendo criptomoedas. O homicídio de Gritzbach foi considerado uma vingança pessoal, conforme declarou o secretário-executivo de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico.

Cigarreira é suspeito de ter planejado o assassinato de Gritzbach com a ajuda de Diego Amaral, o Didi, que atualmente está foragido na Bolívia. A força-tarefa que investiga o caso está considerando solicitar apoio do governo boliviano para capturá-lo.

No entanto, nem todos os integrantes da força-tarefa que apura o crime acreditam que Cigarreira seja o responsável direto pela morte. Alguns apontam que ele teria um câncer e, em algumas operações policiais, foi procurado em hospitais, o que indicaria que ele estaria afastado das atividades criminosas. Além disso, não existem provas que conectem Cigarreira aos policiais militares envolvidos na execução.

Desde 2019, uma negociação entre o CV e o PCC estava sendo discutida, e uma trégua, agora em âmbito nacional, foi formalizada pelos líderes das facções: Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, do CV, e Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, do PCC. A informação foi inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles e posteriormente confirmada pelo GLOBO.

Avisos internos do PCC, conhecidos como “salves”, alertaram que agora é proibido matar membros da facção rival ou invadir territórios de outros grupos. Esses avisos começaram a ser disseminados por todo o Brasil, com foco nos estados do Norte e Nordeste, onde o CV tem maior presença.