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O que precisamos saber sobre dificuldade para dormir e o envelhecimento cerebral

Por O Globo

Dormir é o melhor remédio. O sono de qualidade garante o bom funcionamento do corpo ao logo do dia e o envelhecimento saudável do cérebro, ajudando a prevenir doenças neurodegenerativas. Rodrigo de Faria Ferreira, coordenador da equipe de neurologia do Hospital Vitória Anália Franco, do Grupo Amil, explica que, embora a medicina ainda não conheça absolutamente tudo sobre o sono, é possível entender seu impacto na vida das pessoas a curto, médio e longo prazos.

— O sono faz parte de aproximadamente 1/3 da nossa vida. Ainda existem algumas controvérsias sobre a função primária dele, mas parece ser uma série de estágios que levam a uma promoção da capacidade do cérebro de criar novas conexões, estabelecer memórias e fazer a limpeza das impurezas que vai acumulando no decorrer do seu funcionamento – detalha ele.

Um sono adequado tem relação direta com a qualidade das funções metabólicas do organismo e influencia diretamente nas coisas mais simples do dia a dia, como o humor, a capacidade de reter informações e o funcionamento cognitivo e físico. Quem nunca ficou mais irritado ou desconcentrado após uma noite de insônia? A longo prazo, a limpeza de substâncias impuras que ele retém ao longo do dia garante a saúde do tecido cerebral.

— É a saúde do tecido cerebral que gera um impacto importante, determinando se a pessoa pode ou não desenvolver uma doença degenerativa. O sono adequado diminui a chance ou evita o desenvolvimento de Alzheimer, por exemplo – aponta o Dr. Rodrigo.

É comum que a duração e a qualidade do sono se transformem ao longo da vida. O envelhecimento natural, mesmo que saudável, leva, naturalmente, a uma série de alterações na estrutura do sono. Em geral, um adulto em idade jovem costuma dormir de 7h a 8h por noite, enquanto os idosos dormem entre 5h e 6h. O sono mais profundo também fica escasso. Toda essa conjuntura leva ao envelhecimento mais rápido e ao desenvolvimento de doenças.

— A privação do sono leva ao acúmulo de substâncias tóxicas e esse efeito acumulativo ao longo do tempo pode cobrar seu preço. Uma noite mal dormida já faz diferença – indica o especialista.

De acordo com o Dr. Rodrigo, no dia a dia, as pessoas tendem a responder de maneira diferente à falta de sono. Homens podem apresentar mais sonolência quando não dormem bem, e as mulheres têm mais irritabilidade. Ele também chama a atenção para a relação entre depressão e insônia:

— Cuidar do sono do paciente depressivo é fundamental para o sucesso do tratamento. A depressão sozinha também piora o sono. A pessoa que tem insônia tem mais chance de ter depressão e vice-versa.

Qualidade de vida e tratamento

O médico defende que o tratamento para promover um sono saudável não deve depender de medicação. Para ele, a chave está em manter um estilo de vida saudável, garantir uma boa alimentação, fazer atividade física e se expor à luz solar.

— Os medicamentos podem trazer efeitos colaterais. Garantir o funcionamento desses sistemas que envolvam o paciente ao sono saudável é muito melhor – afirma ele.

O acompanhamento e tratamento do paciente com problemas de sono ou qualquer doença que surja em decorrência disso requer a presença de um neurologista. A neurologia é fundamental para uma visão abrangente do paciente e dialoga com todas as outras especialidades médicas. Na rede de Assistência da Amil, os protocolos de atendimento para pacientes da neurologia começam no pronto-socorro.

— Um paciente que chega com dor de cabeça pode receber um atendimento que seja bastante adequado e, com isso, não precise tomar medicação, possa voltar para a casa e tocar a vida. Esses protocolos também são fundamentais em casos como AVC, que exige agilidade, velocidade e precisão no atendimento. Quanto mais cedo você dá um atendimento adequado, mais chances de salvar tecidos cerebrais – relata o Dr. Rodrigo.

Além disso, em casos em que é necessário ter mais discussão entre especialistas, a rede de Assistência da Amil oferece um suporte de neurologista, que ajuda a decidir o que vai ser feito no pronto-socorro.

— Podemos avaliar o paciente em observação para agilizar o atendimento, decidir se há internação ou não, agilizar que ele faça exames fora do hospital para que não altere a rotina dele e da família – finaliza.

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