Um líder da oposição venezuelana faleceu nesta quarta-feira, dois meses após deixar o asilo concedido pela embaixada argentina e se entregar às autoridades venezuelanas sob liberdade condicional. Fernando Martínez Mottola, assessor da aliança opositora Plataforma de Unidade Democrática (PUD), era um crítico do governo de Nicolás Maduro e estava envolvido nas denúncias de fraude nas eleições presidenciais, além de apoiar a vitória de Edmundo González Urrutia nas eleições de 28 de julho de 2024. A PUD confirmou a morte de Martínez Mottola à AFP, mas não divulgou maiores informações. Segundo Emilio Figueredo, ex-embaixador e amigo próximo do opositor, ele faleceu após sofrer um “derrame cerebral massivo”.
Líderes políticos, como Henrique Capriles, ex-candidato à presidência, expressaram pesar pela “perda inesperada e irreparável”. O partido Voluntad Popular (Vontade Popular), também integrante da PUD, manifestou condolências.
Martínez Mottola havia se refugiado na residência diplomática argentina em Caracas no dia 21 de março, logo após cinco outros membros próximos à líder oposicionista María Corina Machado seguirem o mesmo caminho. Todos eram acusados de conspiração contra o governo de Maduro. Em 19 de dezembro, o opositor se entregou às autoridades venezuelanas e foi liberado sob liberdade condicional, após prestar depoimento sobre acusações de envolvimento em “atos violentos e desestabilizadores”, conforme alegações do Ministério Público, que o acusava de atuar em favor do chavismo.
Os opositores asilados, incluindo Magalli Meda, braço direito de Machado, continuam aguardando um salvo-conduto para deixar o país. Desde novembro, eles denunciam o “cerco” policial à embaixada, com a presença de forças armadas impedindo a entrada de alimentos e a restauração de serviços essenciais, como água e energia elétrica.
A representação argentina não possui pessoal diplomático desde agosto de 2024, após a ruptura das relações diplomáticas, uma reação às críticas do governo do presidente argentino Javier Milei à reeleição de Maduro. O Brasil assumiu a custódia da embaixada argentina desde então.