STF planeja julgar Bolsonaro ainda este ano para evitar impacto no calendário eleitoral de 2026.

Quatro ministros consultados sob reserva consideram ideal que os processos envolvendo Bolsonaro sejam concluídos este ano.

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) mantêm a previsão de concluir o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda neste ano, com o objetivo de evitar que o processo tenha impactos nas eleições presidenciais de 2026.

A estratégia inclui dedicar parte do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, à análise da denúncia, além de ajustar a agenda da Primeira Turma do STF, responsável por julgar os acusados.

Apesar disso, os prazos são considerados apertados para a instrução das ações penais. De acordo com advogados que defendem alguns dos denunciados, há estratégias sendo adotadas para postergar os processos, e muitos apostam que os julgamentos serão adiados.

Para quatro ministros consultados sob condição de anonimato, o cenário ideal seria a conclusão dos processos envolvendo Bolsonaro ainda neste ano. A expectativa é de que o julgamento aconteça no primeiro semestre, ou, no mais tardar, no início do segundo semestre, permitindo que eventuais recursos se estendam até o fim do ano.

Com essa previsão, as eventuais penas poderiam começar a ser cumpridas antes das eleições de 2026.

Nesta terça-feira (18), a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro e mais 33 pessoas pela suposta articulação de um golpe de Estado após a vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais de 2022.

Além dessa denúncia, o procurador-geral Paulo Gonet pretende apresentar novas acusações sobre o episódio golpista do fim de 2022 nas próximas semanas. A estratégia da PGR foi dividir a análise do caso de acordo com os núcleos da investigação.

O próximo passo no STF será decidir se aceita ou rejeita a denúncia. Se a denúncia for acolhida, os acusados se tornarão réus e serão convocados para apresentar defesa.

A fase subsequente envolverá a oitiva de testemunhas e o interrogatório dos réus. As defesas podem sugerir nomes de pessoas a serem ouvidas pelo Supremo, sendo que uma das estratégias para retardar o processo pode ser a inclusão de um grande número de testemunhas nas audiências.

Após as alegações finais, em que as defesas poderão contestar as provas apresentadas pela PGR e reforçar argumentos de inocência, o STF deverá marcar a data para o julgamento. Todo o processo será conduzido por Alexandre de Moraes, relator do caso.

O julgamento ocorrerá na Primeira Turma do STF, que inclui os ministros Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Cármen Lúcia. O colegiado se reúne quinzenalmente, mas estuda a possibilidade de passar a se reunir semanalmente para acelerar a análise das denúncias.

A denúncia contra Bolsonaro e seus aliados foi fundamentada no relatório da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe para impedir a posse de Lula.

As evidências sobre o caso começaram a ser divulgadas no início de 2024, quando a PF, com base em provas e na delação do tenente-coronel Mauro Cid, revelou que o ex-presidente teria discutido com os líderes militares um plano de golpe de Estado.

O comandante da Marinha na época, almirante Almir Garnier, teria colocado as tropas à disposição de Bolsonaro, conforme investigação da PF. Essa informação foi confirmada pelos chefes do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista Júnior.

Além de minutas de decretos golpistas e tentativas de aliciar as Forças Armadas para uma ruptura institucional, a Polícia Federal também revelou que militares do Exército haviam planejado assassinatos de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com os investigadores, Bolsonaro tinha conhecimento do plano elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que integrava o governo e se encontrava com o então presidente pouco depois de imprimir o plano criminoso e reunir oficiais do Exército dispostos a cometer o atentado.