O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), fez um novo gesto de apoio a Jair Bolsonaro nesta quinta-feira. Após o ex-presidente se tornar réu no caso envolvendo tentativas de golpe, Zema declarou que Bolsonaro é a “principal liderança da oposição” e expressou a esperança de que sua inelegibilidade seja revista. “Jair Bolsonaro é o maior líder da oposição ao governo do PT. Espero que a Justiça seja feita e que ele recupere seus direitos políticos”, publicou no X (antigo Twitter).
Essa manifestação de Zema foi tardia. No dia anterior, assessores do governador haviam informado ao GLOBO que ele preferiria não se posicionar por estar em luto devido à morte do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), com quem mantinha uma relação cordial, embora não fossem próximos. Este é o segundo sinal de aproximação de Zema ao bolsonarismo nesta semana. Na segunda-feira, o governador criticou o julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, uma das acusadas nos ataques de 8 de janeiro.
O caso se refere ao julgamento virtual de Débora, que foi acusada de vandalizar a estátua da Justiça, em frente ao Supremo Tribunal Federal, com a inscrição “Perdeu, Mané”. A cabeleireira, que está presa há dois anos, teve sua pena analisada em plenário virtual. Ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pela condenação a 14 anos de prisão, mas Luiz Fux pediu vistas, o que pode adiar a decisão por até 90 dias.
Débora foi acusada de cinco crimes, incluindo golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Zema se manifestou em defesa dela, comparando sua situação com a do empresário Thiago Brennand, condenado por estupro, e a liberação do traficante André do Rap em 2019. “Você acha isso justo? Parece que há algo errado com a Justiça do Brasil”, declarou o governador.
Débora Rodrigues foi detida pela Polícia Federal em março de 2023, durante a Operação Lesa Pátria. Durante seu julgamento no Supremo Tribunal Federal, escreveu uma carta pedindo desculpas a Moraes, dizendo não ter compreendido a importância da estátua na época do ato, mas que, após aprender mais sobre a obra e o artista Alfredo Ceschiatti, reconheceu o erro.
Esses posicionamentos fazem parte da estratégia de Zema de se firmar como uma liderança da direita nas eleições de 2026. Com a inelegibilidade de Bolsonaro, ele, junto com outros governadores, é cogitado como possível candidato à presidência. Embora tenha se distanciado de algumas pautas mais radicais do bolsonarismo, Zema tem se posicionado cada vez mais alinhado ao discurso de Bolsonaro e seus aliados.
Uma possível explicação para essa mudança de postura é a troca de seu marqueteiro no início de 2025. Zema substituiu Leandro Groppô, responsável pela sua campanha de 2018, por Renato Pereira, profissional com experiência em campanhas de políticos tradicionais, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Desde então, o governador tem intensificado suas críticas a Lula, buscando ampliar sua visibilidade nacional.