Castro afirma que governo Lula quebrou vínculo ao não incluí-lo no G20

Governador critica atuação de Mauro Vieira, chamando-o de "fraquíssimo"

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, fez duras críticas ao governo federal nesta quarta-feira (12), acusando a administração do presidente Lula (PT) de cometer um “rompimento institucional” e uma “indelicadeza” ao não convidá-lo para o G20, evento que será realizado em novembro de 2024 na capital fluminense, apesar de o governo estadual ter sido solicitado a contribuir com a quantia de R$ 40 milhões para o G20 Social e de ter apoiado a segurança pública para o evento.

Durante entrevista ao site Metrópoles, Castro declarou: “Foi o governo federal que cometeu uma falta de respeito, um rompimento institucional, ao não chamar o governador do Rio para participar do G20, mesmo depois de ter solicitado nossa ajuda. Pediram R$ 40 milhões para o G20 Social e pediram auxílio na segurança, mas não reconheceram a importância institucional do evento.”

Além disso, o governador criticou o trabalho do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a quem chamou de “fraquíssimo” e acusou de não ter educação nas relações diplomáticas. “É uma falta de educação também do chanceler, que, por sinal, é muito fraco. Isso não surpreende”, disse Castro.

Apesar de suas críticas, o governador expressou disposição para manter o diálogo com o governo federal. “O papel de situação e oposição é do Congresso. Prefeito não deve se opor a governador, e governador não deve se opor a presidente”, afirmou, destacando sua abertura para colaborar. “Os governos precisam trabalhar juntos, e é isso que faço. Faço críticas quando necessário, mas tudo o que Lula quiser trazer para o Rio de Janeiro, estaremos de portas abertas. Nunca deixamos de garantir nada.”

Em fevereiro, o presidente Lula havia se queixado da ausência de Castro em uma cerimônia de entrega de uma nova emergência do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio. Foi a primeira agenda do presidente fora de Brasília após uma cirurgia na cabeça, em dezembro.

“Lula disse que o governador foi convidado, mas não compareceu. ‘Não importa a que partido ele pertença, qual sua religião ou time de futebol. O que importa é que ele foi eleito pelo povo’, afirmou o presidente. Lula também afirmou que convidaria todos os governadores, inclusive aqueles que fazem críticas ao seu governo, para discursarem sobre a situação de saúde no estado.”

Na ocasião, o presidente estava acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que, assim como Castro, também fez críticas à gestão do governador, principalmente em relação à segurança pública.