Dólar e Bolsa registram queda com nova tarifa de Trump no horizonte

Tarifaço será anunciado na quarta-feira, 2 de abril

O dólar registrou queda nesta segunda-feira (31), reflexo das expectativas em torno das tarifas comerciais que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar nos próximos dias.

Espera-se que o “tarifaço” seja formalizado na quarta-feira, 2 de abril, uma data que tem sido chamada de “dia da libertação” no cenário financeiro.

Por volta de 12h40, a moeda americana recuava 0,44%, sendo cotada a R$ 5,735 na venda, influenciada pela formação da Ptax de fim de mês. A Ptax, taxa referencial calculada pelo Banco Central, é utilizada para liquidação de contratos futuros, o que aumenta a volatilidade no mercado.

Além disso, a Bolsa de Valores apresentava uma queda de 1,28%, com o índice atingindo 130.207 pontos, acompanhando o clima negativo em Wall Street.

Desde o início deste ano, a política tarifária do governo Trump tem sido um fator crucial para os mercados internacionais. No entanto, a proximidade do anúncio do tarifaço nesta semana coloca este período como um dos mais significativos do ano.

O presidente norte-americano confirmou que o pacote de tarifas será imposto de maneira recíproca a “todos os parceiros comerciais” dos Estados Unidos, sem especificar os países afetados. A expectativa inicial era de que as tarifas fossem aplicadas a países com maiores desequilíbrios comerciais, mas Trump indicou que a medida será mais ampla. “Vamos ver o que acontece”, afirmou Trump, sem determinar um número exato de países que poderão ser afetados.

A iminência do tarifaço gera apreensão nos mercados financeiros, que temem o impacto potencial na economia global. O principal receio é que o aumento de tarifas afete a inflação e desorganize as cadeias de suprimentos internacionais, especialmente se países alvo do pacote tomarem medidas retaliatórias.

Até o momento, Trump já implementou tarifas de 20% sobre produtos chineses e de 25% sobre importações de aço e alumínio. Em breve, entrarão em vigor novas taxas de 25% sobre mercadorias do México e Canadá que não atendam aos termos do acordo comercial da América do Norte. Além disso, em 3 de abril, será a vez das tarifas sobre carros importados, com o assessor comercial de Trump, Peter Navarro, estimando uma arrecadação anual de até US$ 100 bilhões com essa medida.

Ainda é incerto se o Brasil será afetado pelas novas tarifas. Caso o país esteja entre os impactados, as taxas serão aplicadas a todos os produtos importados pelos EUA, sem exceções.

A ofensiva tarifária de Trump já tem levado à reorganização de fluxos comerciais globais, com China, Japão e Coreia do Sul sinalizando que acelerariam negociações para um possível acordo trilateral de livre comércio, em resposta ao tarifaço.

Nos mercados de câmbio e ações, a tendência é de aversão ao risco. Os principais índices de Wall Street registravam fortes quedas, com o Dow Jones perdendo 0,94%, o S&P 500 caindo 1,47% e o Nasdaq Composite diminuindo 2,36%.

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, afirmou que a percepção de um anúncio mais agressivo por parte do governo Trump tem aumentado, principalmente pela falta de detalhes concretos sobre as tarifas. A incerteza sobre a medida amplifica o risco de volatilidade nos mercados.

Como reflexo dessa incerteza, o Goldman Sachs revisou suas projeções econômicas, aumentando a probabilidade de recessão nos Estados Unidos de 20% para 35% nos próximos 12 meses e reduzindo a previsão de crescimento do PIB de 2,0% para 1,5% em 2025.

O impacto das tarifas de Trump pode resultar em uma “estagflação” nos EUA, uma combinação de inflação alta e crescimento econômico lento. Para tentar conter essa pressão, o Federal Reserve poderá ser forçado a manter as taxas de juros elevadas, o que pode desacelerar ainda mais a atividade econômica.

Esta semana, os mercados estarão atentos a mais dados sobre o mercado de trabalho nos EUA, com destaque para a divulgação da folha de pagamento (payroll) na sexta-feira.

No Brasil, o mercado de câmbio também está sendo influenciado pela formação da Ptax. Pela manhã, o dólar atingiu a máxima de R$ 5,785, e a expectativa é de que a volatilidade persista ao longo do dia. Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, afirmou que o movimento é mais técnico, mas a cautela permanece devido à expectativa dos dados de emprego nos EUA.