Na primeira reunião oficial de Gleisi Hoffmann à frente da Secretaria de Relações Institucionais, um dos principais pontos de discussão foi a queda na popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante o encontro, realizado com líderes de partidos aliados, foram debatidas estratégias para melhorar a percepção pública da gestão nos próximos dois anos.
Parlamentares da base governista enfatizaram a necessidade de que políticas e projetos aprovados recentemente apresentem resultados concretos, como a redução do preço dos alimentos. Além disso, destacaram que a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil pode contribuir significativamente para a melhora da imagem do governo. O texto deve ser enviado ao Congresso ainda este mês, possivelmente até o dia 18, segundo alguns líderes.
Os participantes da reunião ressaltaram a importância de o governo estabelecer uma identidade clara para o restante do mandato. Entre as sugestões apresentadas à ministra, estavam o resgate de iniciativas que não tiveram grande destaque até o momento, mas que podem gerar impacto positivo entre a população, como ações voltadas aos caminhoneiros e a simplificação de processos relacionados à Carteira Nacional de Habilitação.
Outro tema abordado foi a estratégia de comunicação do governo, sob a liderança de Sidônio Palmeira. Os líderes expressaram preocupação com a dificuldade de Lula em capitalizar politicamente os avanços econômicos do país, apesar de indicadores positivos.
Gleisi afirmou que pretende manter um contato mais próximo com os parlamentares, ligando diretamente para cada líder e monitorando a distribuição de cargos entre os partidos aliados. Além disso, garantiu que as legendas parceiras terão prioridade, o que deve agilizar a liberação de emendas.
Os líderes solicitaram que temas importantes sejam discutidos previamente com a base, permitindo melhor articulação política e evitando surpresas em projetos enviados pelo Executivo ao Congresso. Também pediram maior retorno sobre as demandas apresentadas ao governo, para que não fiquem sem resposta.
Durante a conversa, Gleisi reforçou que está ciente da diferença entre ser presidente do PT e exercer a função de ministra, comprometendo-se a atuar em sintonia com os parlamentares.
O encontro ocorreu nesta terça-feira, no Palácio do Planalto, um dia após a posse da ministra. A reunião contou apenas com a presença de deputados da base governista, entre eles José Guimarães (PT-CE), Renildo Calheiros (PCdoB-PE), Luciano Amaral (PV-AL), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Mario Heringer (PDT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Pedro Campos (PSB-PE), sem a participação de representantes do Centrão.
— Ela inicia um diálogo com as bancadas governistas. Ainda hoje ou amanhã, haverá reuniões com grupos mais ao centro, para consolidar as conversas e pacificar o ambiente na Câmara — afirmou Guimarães após a reunião.
Lindbergh Farias mencionou que o almoço serviu para fortalecer a relação entre os líderes partidários. Guimarães, primeiro a deixar o encontro, seguiu diretamente para uma reunião com o presidente da Câmara, onde discutiu a disputa entre PT e PL pelo comando da Comissão de Relações Exteriores.
O objetivo central da reunião foi promover a aproximação entre governo e Congresso, além de alinhar prioridades para o ano legislativo. O Executivo precisa aprovar o Orçamento da União na próxima semana para evitar atrasos em programas governamentais e, em seguida, deseja avançar com a proposta de isenção do Imposto de Renda.
Nos últimos dias, Gleisi também manteve contato com outros líderes políticos. Na segunda-feira à noite, conversou com Antonio Britto (PSD-BA), líder do PSD na Câmara. No domingo, véspera de sua posse, encontrou-se com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com Isnaldo Bulhões (MDB-AL), que chegou a ser cotado para o cargo que ela assumiu.
Apesar da cerimônia de posse ter contado com grande público, poucos líderes de partidos do centro compareceram ao evento. Foi necessário um espaço extra no Palácio do Planalto para acomodar os convidados, mas a presença de parlamentares aliados da Câmara e do Senado foi limitada.