Ícone do site Brasil Direto Notícias

Guerra comercial se agrava com retaliações da China, Canadá e México às tarifas de Trump

Por Brasil Direto

A China anunciou nesta terça-feira a imposição de tarifas adicionais sobre uma série de produtos alimentícios dos Estados Unidos, como soja, trigo e frango, em resposta ao aumento das tarifas por parte do governo Trump. O Ministério das Finanças da China informou que serão aplicadas taxas de 15% sobre frango, trigo, milho e algodão, enquanto outros produtos, como soja, carne suína, carne bovina, laticínios, frutas e vegetais, terão uma tarifa de 10%.

Além das tarifas, o governo chinês tomou medidas contra empresas de defesa, proibindo transações comerciais com algumas delas. Em paralelo, o Canadá reagiu à implementação das tarifas americanas, anunciando a imposição de uma taxa de 25% sobre uma série de produtos dos EUA, o que afetará US$ 107 bilhões em exportações. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, criticou a ação de Trump, sugerindo que os EUA visam prejudicar a economia do Canadá para, futuramente, buscar anexação do país. Trudeau também chamou as justificativas para as tarifas, como o combate ao fentanil, de “sem fundamento” e “estúpidas”.

Em resposta, o México, por meio de sua presidente, Claudia Sheinbaum, afirmou que não há justificativa para as tarifas de 25% impostas sobre os produtos mexicanos. Ela anunciou que seu governo tomará medidas “tarifárias e não tarifárias” em resposta. A presidente também convocou uma manifestação no Zócalo, em Cidade do México, para detalhar as contramedidas.

No campo da Organização Mundial do Comércio (OMC), a China iniciou um processo contra as tarifas adicionais de 10% dos EUA, argumentando que a medida viola as regras da OMC e prejudica a base da cooperação econômica entre os dois países. Lou Qinjian, porta-voz do Congresso Nacional do Povo, afirmou que a China espera uma resolução através do diálogo, sem ceder à pressão ou ameaças externas.

A situação comercial também afeta as exportações agrícolas, com destaque para a soja, que representa uma parte significativa das exportações dos EUA para a China. As tarifas chinesas têm potencial para impactar diretamente os agricultores americanos, especialmente com o início da temporada de plantio.

Além das tarifas, a China acrescentou 10 empresas americanas à sua “lista de entidades não confiáveis”, a maioria ligada ao setor de defesa, o que poderá dificultar a compra de componentes essenciais para produtos como drones. A China também proibiu a importação de máquinas de sequenciamento genético da Illumina, já presente na lista de entidades não confiáveis desde fevereiro.

A reação de Pequim foi moderada em comparação com a primeira guerra comercial entre os países, em 2018-2019, quando medidas mais severas foram adotadas, afetando gravemente as exportações de soja dos EUA. Embora as tarifas atuais representem uma escalada, especialistas acreditam que a China está adotando uma postura mais cautelosa, com as contramedidas sendo relativamente leves, por enquanto.

O impacto da guerra comercial se estende ao mercado global, e os EUA já anunciaram a imposição de novas tarifas sobre as importações de metais na próxima semana, enquanto o país prepara novas medidas para reduzir o déficit comercial em abril. A escalada das tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo segue gerando incertezas sobre o futuro das relações comerciais globais.

Sair da versão mobile