O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, declarou nesta quarta-feira que o país não está buscando a construção de armas nucleares e classificou de “imprudente” a ameaça feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em uma carta enviada ao governo iraniano. Nela, Trump sugeria o uso de força militar caso o Irã se recusasse a negociar com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear.
“Se quiséssemos fabricar armas nucleares, os Estados Unidos não poderiam nos impedir. O fato de não termos armas nucleares e de não estarmos atrás delas é porque optamos por não segui-las”, afirmou Khamenei durante uma reunião com estudantes. “Os EUA estão ameaçando com militarismo. Na minha opinião, essa ameaça é imprudente”, completou.
O comentário do líder iraniano ocorreu logo após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmar que havia recebido uma carta assinada por Trump. A carta foi enviada através de diplomatas dos Emirados Árabes Unidos, como já havia sido mencionado por Trump na semana anterior.
Em um vídeo exibido pela Fox Business, Trump reafirmou sua expectativa de uma “negociação” sobre o programa nuclear do Irã, sugerindo que, caso necessário, uma resposta militar poderia ser considerada. “Se tivermos que usar a força militar, será algo terrível para eles. Não podemos permitir que adquiram uma arma nuclear”, alertou Trump.
Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), que havia sido firmado em 2015 pelo então presidente Barack Obama. Esse acordo impunha restrições ao programa nuclear iraniano em troca de um alívio nas sanções financeiras. Trump defendeu a saída do acordo como uma vitória para o Ocidente, mas muitos analistas consideram que isso teve efeitos negativos, levando o Irã a expandir sua produção nuclear e afastar-se das fiscalizações internacionais.
No mês passado, Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), revelou que o Irã estava enriquecendo urânio a 60%, nível quase suficiente para produzir armas nucleares. Ele também observou que, mesmo que os termos do acordo de 2015 fossem restabelecidos, isso já não seria eficaz.
Em meio às tensões, a China anunciou que receberá representantes da Rússia e do Irã para uma reunião trilateral sobre o programa nuclear iraniano. A reunião ocorrerá na sexta-feira em Pequim, e um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China informou que os três países discutirão o programa nuclear do Irã e outros assuntos de interesse mútuo.
O vice-ministro chinês das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu, junto aos representantes da Rússia, Sergei Ryabkov, e do Irã, Kazem Gharibabadi, participarão do encontro. O porta-voz iraniano, Esmaeil Baqaei, confirmou que a reunião se concentrará em “desenvolvimentos relacionados ao programa nuclear e ao levantamento de sanções”. Além disso, outras questões de interesse compartilhado entre os países também serão debatidas, incluindo tópicos regionais e internacionais, além de aspectos da cooperação no Brics e na Organização de Cooperação de Xangai.