A ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, fez sua despedida oficial nesta segunda-feira, 10, aproveitando a cerimônia de posse de Alexandre Padilha, seu sucessor, para ressaltar os avanços alcançados durante sua gestão. Em seu discurso de despedida, ela não hesitou em denunciar ataques misóginos sofridos ao longo de sua passagem pelo cargo.
“Durante os 25 meses em que estive à frente do Ministério da Saúde, fui alvo de uma campanha sistemática de desvalorização, que questionava não apenas minha capacidade, mas minha integridade. Não podemos, como sociedade, aceitar comportamentos políticos desse tipo como algo normal”, afirmou Nísia. Ela completou, destacando a necessidade de uma nova abordagem política: “Devemos construir uma política fundamentada no respeito, especialmente o respeito às mulheres, e no diálogo sobre propostas que realmente promovam melhorias para a população.”
Com uma fala de aproximadamente 20 minutos, Nísia também desejou êxito a Padilha e ao governo, destacando sua contribuição na reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS), após os desafios impostos pelo governo de Jair Bolsonaro. Ela mencionou a recuperação da cobertura vacinal, a expansão de programas como o Mais Médicos e o Farmácia Popular, além da restauração do piso constitucional da Saúde, por meio da emenda de transição.
“Considero que o maior legado que deixo é o de ter ajudado a reconstruir o SUS e a capacidade de gestão do Ministério da Saúde. O SUS se consolidou como uma referência pública, especialmente durante a pandemia de covid-19. Tenho imenso orgulho de ter sido ministra do SUS”, afirmou Nísia, reconhecendo ainda a importância da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a realização de um trabalho dessa magnitude.