Em seu discurso de posse, o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que seu principal objetivo à frente da pasta será reduzir o tempo de espera para atendimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). “Minha missão é clara: diminuir a espera para quem precisa de atendimento especializado no Brasil. Todos os dias, estarei trabalhando para garantir mais acesso e menos tempo de espera para a população”, afirmou Padilha.
O ministro, que já havia ocupado o cargo de chefe da Saúde entre 2011 e 2014, ressaltou que retorna à pasta ainda mais motivado do que na primeira vez. No entanto, ele também reconheceu que “não existem soluções rápidas ou mágicas” para resolver a questão da espera por atendimento.
Padilha substitui Nísia Trindade, que ocupava o cargo desde 2023. Durante o anúncio da troca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou confiança de que o traquejo político de Padilha será crucial para dar novo impulso aos programas do Ministério e para melhorar a avaliação da gestão petista. A ampliação do Programa Mais Acesso a Especialistas será uma das prioridades do novo ministro.
O Ministério da Saúde sempre foi uma das principais apostas de Lula desde o início de seu terceiro mandato, com a expectativa de que ele possa impulsionar programas de grande visibilidade, como o Farmácia Popular. A gestão de Nísia Trindade, porém, enfrentou críticas, tanto de partidos do Centrão, que desejavam assumir a pasta, quanto de membros do próprio governo, que consideraram sua administração abaixo das expectativas. A ministra, que fazia parte da cota pessoal de Lula, foi defendida publicamente pelo presidente, mas acabou sendo demitida em 25 de fevereiro.
Assim como Nísia, Padilha também enfrentou críticas ao longo de sua trajetória política, especialmente enquanto chefia a articulação política no governo, e já foi alvo de ataques, incluindo do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, que o considerou um “desafeto pessoal”.
A mudança na liderança da Saúde, formalizada nesta segunda-feira, reflete a estratégia de Lula de dar um tom mais político ao ministério, essencial para avançar com os programas do governo. Em Brasília, era comum a avaliação de que Nísia carecia da experiência necessária para lidar com os interesses dos congressistas na pasta, algo que Padilha, com seu histórico de liderança tanto no Ministério da Saúde quanto nas Relações Institucionais, traz consigo.
O Ministério da Saúde é um dos principais responsáveis pela execução de emendas parlamentares, o que torna a pasta um alvo estratégico para os partidos do Congresso.
Desde sua nomeação, Padilha tem se mostrado ativo nas preparações para assumir a pasta, compartilhando sua agenda de transição nas redes sociais. Na semana passada, ele publicou no Instagram: “Estamos preparando tudo para iniciar essa missão à frente do Ministério, com o objetivo de reduzir o tempo de espera para atendimento à saúde.”
Formado em Medicina e com doutorado em Saúde Coletiva, Alexandre Padilha, de 53 anos, é deputado federal licenciado. Antes de sua nomeação, ele liderava a Secretaria de Relações Institucionais desde janeiro de 2023, um ministério responsável pela articulação política entre o Congresso e o Palácio do Planalto.
Além de sua atuação como ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff, Padilha tem uma vasta experiência na área da saúde. Entre 2004 e 2010, foi diretor interino da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e titular da Secretaria de Relações Institucionais. Também foi secretário municipal de Saúde de São Paulo entre 2015 e 2016.