A estudante de medicina veterinária Beatriz Leão Montibeller Borges, de 25 anos, é uma das foragidas da terceira fase da Operação Intramuros, realizada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) nesta quarta-feira, para combater uma das principais organizações criminosas do estado. De acordo com a investigação, Beatriz teria um relacionamento amoroso com o chefe da quadrilha, que está preso, sendo o braço financeiro do companheiro fora do presídio.
Contra a suspeita há um mandado de prisão em aberto pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O delegado da PCPR Thiago Andrade, responsável pelo caso, afirmou que as transações financeiras da quadrilha são feitas para as contas bancárias que Beatriz disponibiliza.
— Ela era a responsável pela parte financeira do grupo, e tem um relacionamento muito próximo com o líder dessa facção criminosa. Eles tem uma relação de confiança, e ele pagava até a faculdade dela — afirmou o delegado ao GLOBO. — Ela esbanjava uma vida de alto padrão, de luxo, e era apelidada de “musa do tráfico”.
Beatriz afirma, em suas redes sociais, que é natural do município gaúcho de Bagé, mas mora atualmente em Curitiba. Na capital paranaense ela está matriculada em uma faculdade de medicina veterinária. A investigada também tem três empresas em seu nome: uma para realizar “atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários”, outra no ramo de comércio varejista de roupas e acessórios, e a terceira é uma casa de festas.
Além dela, outras quatro pessoas também estão foragidas e estão sendo procuradas pelas mesmas razões. Ao todo, dos 13 mandados de prisão expedidos, oito já foram cumpridos.
A Operação
As duas primeiras fases da Operação Intramuros aconteceram no ano passado, nos meses de maio e junho, e resultaram na prisão de 12 pessoas, além da apreensão de R$ 42 mil em espécie, drogas, celulares e veículos. Nesta fase, a polícia expediu 36 mandados — 22 de busca e apreensão, 13 de prisão e um de quebra de sigilo bancário —, e apreendeu uma grande quantidade de drogas, armas e munições.
A ação, que contou com o apoio da Polícia Militar do Paraná (PMPR) e da Polícia Penal do Paraná (PPPR) e envolveu cerca de 70 agentes, aconteceu simultaneamente nas cidades de Curitiba, Piraquara, Pinhais, Matinhos e Foz do Iguaçu. Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam.
— A operação se considera um sucesso, uma vez que os resultados apresentados por ela são muito condizentes com a investigação, ou seja, essa organização praticava o tráfico de drogas, praticava o tráfico de armas e também a lavagem de dinheiro — afirmou o delegado Thiago Andrade.
Como alguns nomes importantes da quadrilha estão presos, a PPPR ajudou nas investigações. De acordo com o policial penal Thiago Pardinho, os detidos conseguem cometer os crimes, mesmo dentro dos presídios, devido ao uso de aparelhos celulares. Por isso, a partir da troca de informações entre as polícias, a atuação de inteligência conjunta possui importância fundamental para alcançar e prender os suspeitos.
— É através dos celulares que os criminosos conseguem cometer crimes para fora dos presídios que acometem toda a sociedade, e também comandar as facções criminosas. A Polícia Penal trabalha incansavelmente tanto para inibir a entrada de celulares (nos presídios), quanto também para retirar — disse Pardinho.