Trump revela que enviou carta ao regime do Irã para discutir programa nuclear

Segundo agência ligada à segurança do Irã, declarações de Trump não apresentam nada de novo

Nesta sexta-feira (7), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que enviou uma carta ao governo iraniano, instando-o a iniciar negociações sobre seu programa nuclear. Caso contrário, ele alertou que o país enfrentaria possíveis ações militares.

Trump, em entrevista à Fox Business, afirmou: “Escrevi para eles, dizendo que espero que entrem em negociações, pois se for necessário agir militarmente, será uma situação terrível para eles. Não podemos permitir que obtenham uma arma nuclear.”

Em resposta, uma agência de notícias vinculada ao principal órgão de segurança do governo iraniano minimizou as declarações de Trump, afirmando que não há novidades em seus comentários. “A postura de Trump em relação à política externa é a mesma de sempre: promessas, ameaças, medidas temporárias e recuos”, declarou o Nour News no X.

A agência também criticou a abordagem do ex-presidente, lembrando que, anteriormente, Trump declarou que não buscava um confronto, mas depois adotou uma política de pressão máxima, impôs novas sanções e agora está tentando abrir espaço para negociações. “Esse é o ciclo repetitivo da política dos EUA”, completou o Nour News.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, havia manifestado anteriormente sua resistência a negociações com os EUA. Ele declarou que tais discussões não eram “prudentes, sábias ou honrosas”, e criticou o acordo nuclear de 2015, que, segundo Khamenei, os EUA “destruíram, violaram e rasgaram”. As declarações foram feitas em um contexto em que Trump expressou a vontade de restaurar sua política de pressão máxima e, em seguida, buscar um acordo de paz com Teerã.

Trump, em uma de suas últimas declarações, enfatizou que um “acordo de paz nuclear verificável” seria preferível à ideia de fragmentar o Irã, uma opção que, segundo ele, era amplamente exagerada.

Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), expressou preocupação com o avanço do Irã em direção à fabricação de uma bomba nuclear, destacando que o país já ultrapassou várias “linhas vermelhas”. Em entrevista ao jornal Folha, Grossi explicou que a situação com o Irã é extremamente frustrante, pois desde 2021 houve uma redução significativa na visibilidade do problema.

Ele afirmou ainda que a cooperação com o Irã neste sentido continua a ser mínima, e o acesso de inspetores da AIEA ao país foi praticamente cortado há dois anos e meio. A AIEA, que supervisionava o acordo nuclear de 2015, tem enfrentado dificuldades, pois o acordo foi abandonado por Trump em 2018.

Esse acordo inicial, promovido durante a administração de Barack Obama, visava o relaxamento das sanções econômicas contra o Irã, em troca do compromisso de que seu programa nuclear teria apenas fins pacíficos. No entanto, Trump considerou o acordo falho e decidiu se retirar. A administração de Joe Biden, que assumiu em 2021, havia prometido retomar as negociações, mas até agora isso não se concretizou.