Após uma recente atualização feita pelo governo dos Estados Unidos em sua plataforma oficial, sugerindo que a pandemia de Covid-19 teria começado após um vazamento laboratorial, a China respondeu com um comunicado contundente nesta quarta-feira (30), insinuando que o vírus poderia ter tido origem nos próprios EUA.
A declaração chinesa, veiculada por meio da agência estatal Xinhua, reforça que o país asiático colaborou com a comunidade científica internacional desde o início da crise sanitária, repassando dados relevantes à Organização Mundial da Saúde (OMS) de forma transparente e dentro dos prazos. O documento também destacou que uma investigação conjunta conduzida por especialistas chineses e da OMS concluiu que a hipótese de um escape acidental de laboratório era “altamente improvável”.
No texto, Pequim critica Washington por supostamente ignorar as preocupações legítimas da comunidade global e cobra uma postura mais responsável. “Há elementos consistentes indicando que o coronavírus pode ter circulado nos Estados Unidos antes da data oficialmente reconhecida e antes mesmo dos primeiros casos detectados na China”, afirma o documento.
A publicação acusa ainda os EUA de usarem a origem da pandemia como ferramenta de manipulação política. Um dos exemplos citados foi o processo movido pelo estado do Missouri, que resultou em uma decisão judicial simbólica de US$ 24 bilhões contra a China, sob alegações de omissão e retenção de suprimentos médicos no início do surto.
No dia 18 de abril, a Casa Branca atualizou seu conteúdo sobre a origem do SARS-CoV-2. A nova versão, sob o título “Vazamento de Laboratório – A Verdade sobre as Origens da Covid-19”, afirma que é provável que o vírus tenha escapado de um ambiente laboratorial, dando início à disseminação global.
O texto aponta que o governo anterior, sob Donald Trump, teria minimizado a gravidade da situação, e acusa a atual administração, liderada por Joe Biden, de promover uma versão dos fatos alinhada aos interesses de seu eleitorado, evitando confrontos com a China. A teoria de vazamento havia sido anteriormente rejeitada pela OMS em 2021, com base em estudos que indicavam a transmissão zoonótica — ou seja, o salto do vírus de animais para humanos — em um mercado popular de Wuhan.
Apesar disso, o conteúdo recém-publicado pela Casa Branca tenta estabelecer uma relação geográfica entre o mercado e um laboratório de pesquisa na mesma cidade, incluindo inclusive um mapa com a distância entre os dois pontos.
A publicação também direciona críticas ao ex-assessor médico da Casa Branca, o infectologista Anthony Fauci, acusando-o de favorecer uma visão unilateral sobre as origens da pandemia. Segundo o texto, Fauci teria sido o principal incentivador de uma publicação científica que descreditava publicamente a hipótese do vazamento — a polêmica “A Origem Proximal do SARS-CoV-2”, frequentemente citada por autoridades sanitárias e pela imprensa como referência contra teorias conspiratórias.
Além disso, a Casa Branca sugere que o aparato de regulação científica da China seria frágil e ineficiente, o que agravaria os riscos de incidentes em pesquisas de alto risco biológico.
A pandemia teve início durante o mandato de Donald Trump, que por vezes demonstrou resistência em reconhecer a gravidade da crise. A condução da resposta sanitária mudou com a chegada de Joe Biden ao poder, mas os EUA registraram, até hoje, mais de 1,2 milhão de mortes causadas por diferentes variantes do vírus.