Com prisão de Collor e escândalo no INSS, oposição intensifica acusações contra Lula

Bolsonaristas reagem com ironia à diferença de tratamento do STF entre Lula e Collor

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde a acusações de tentativa de golpe, voltaram a empunhar o discurso anticorrupção para atacar a gestão Lula. A reação veio após a prisão do ex-senador e ex-presidente Fernando Collor e a deflagração de uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes milionárias contra o INSS. Em tom de ironia, bolsonaristas destacaram que o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava-Jato, enquanto manteve a de Collor.

Collor foi sentenciado a oito anos e dez meses de reclusão por receber aproximadamente R$ 20 milhões em propinas ligadas a contratos da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, durante administrações petistas. Já Lula teve suas penas anuladas sob a justificativa do STF de que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgá-lo.

Sergio Moro (União-PR), ex-juiz da Lava-Jato e hoje senador, afirmou que Collor se junta a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, como um dos poucos condenados da operação que continuam presos. Moro questionou a demora na execução da prisão:

— As dúvidas que ficam são: por que somente agora? Por que tanto atraso? E, principalmente, por que outros responsáveis pela corrupção na Petrobras foram liberados por decisões do STF? — disse Moro à colunista Bela Megale, do GLOBO, mencionando também a responsabilidade do PT em entregar a BR Distribuidora para Collor.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou o ministro Alexandre de Moraes de agir por motivação política, ao negar um embargo da defesa de Collor, e sugeriu que a mesma estratégia seria usada para condenar seu pai, Jair Bolsonaro.

— Alexandre cerceou ilegalmente a defesa de Collor, e isso antecipa o que pretende fazer com Bolsonaro — declarou Flávio.

Também crítico ao STF, o ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR) atacou o que chamou de “dois pesos e duas medidas”:

— Para os aliados, anulam processos e devolvem dinheiro; para os adversários, mantêm a condenação — publicou.

Importante lembrar que as anulações de provas, feitas com base em decisão do ministro Dias Toffoli, se referem à Odebrecht, enquanto o caso que resultou na condenação de Collor envolveu a UTC Engenharia e tramitou em Brasília, devido ao foro privilegiado, e não em Curitiba.

Críticas se ampliam com escândalo no INSS

Além da prisão de Collor, a operação da PF que apura irregularidades em descontos de aposentadorias no INSS também serviu de munição para críticas contra Lula. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado licenciado, responsabilizou o presidente diretamente:

— Enquanto Moraes manda oficial de justiça à UTI para intimar Bolsonaro, a quadrilha de Lula rouba os aposentados — afirmou, em referência à recente intimação do pai.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), reforçou a acusação:

— O presidente do INSS foi nomeado por Lula — publicou nas redes.

No entanto, Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS afastado por decisão judicial e depois demitido, foi indicado pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).

Outro parlamentar bolsonarista, Nikolas Ferreira (PL-MG), destacou a relação de José Ferreira da Silva, irmão de Lula conhecido como Frei Chico, com o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), um dos alvos da operação:

— Deve ser só coincidência… ou talvez um talento familiar — ironizou Nikolas.

Em resposta, líderes governistas defenderam Lula e ressaltaram que os esquemas investigados tiveram origem no governo Bolsonaro.

— Lula desmantelou o esquema e protegeu os aposentados — declarou a bancada do PT na Câmara dos Deputados.