Durante uma audiência na Comissão de Segurança da Câmara, nesta terça-feira (28), os deputados Lindbergh Farias (PT) e Gilvan da Federal (PL), membros da base e da oposição do governo, se envolveram em uma discussão acalorada que gerou tumulto. A situação foi tão tensa que a Polícia Legislativa precisou ser chamada para controlar os ânimos.
Tudo começou quando Gilvan da Federal usou seu tempo de fala para criticar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente a decisão de conceder asilo diplomático à ex-primeira-dama peruana Nadine Heredia, que foi condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro no caso envolvendo a Odebrecht. O deputado chamou a decisão de “importar corrupto” e afirmou que Lula era “descondenado”. Em resposta, Lindbergh Farias, líder do PT, pediu a palavra e chamou o colega de “desqualificado”, lembrando que Gilvan da Federal havia recentemente desejado a morte de Lula. O clima ficou ainda mais tenso quando ambos se levantaram e trocaram provocações, o que levou o presidente da comissão, Paulo Bilynskyj (PL-SP), a acionar a Polícia Legislativa para evitar uma escalada da briga.
A audiência tinha como objetivo ouvir o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que foi convocado para esclarecer questões sobre a recente PEC da Segurança Pública enviada pelo governo ao Congresso. Durante o encontro, Lewandowski também foi questionado sobre declarações que fez anteriormente sobre a “má atuação da polícia” e como isso impactaria as decisões judiciais. O ministro afirmou que sua frase foi “tirada de contexto” e que sempre teve um bom relacionamento com as corporações de segurança pública do país.
Lewandowski defendeu a colaboração entre o Ministério da Justiça e as polícias de todo o Brasil, destacando a importância de um sistema integrado de segurança pública. Ele também criticou a falta de recursos orçamentários para as forças de segurança, mencionando que o governo havia cortado R$ 500 milhões do fundo de segurança nacional e do fundo penitenciário, algo que ele descreveu como uma “penúria orçamentária”.
A audiência foi marcada por esses momentos tensos e pela defesa de Lewandowski sobre o compromisso do governo com as forças de segurança, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela área.