O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (10/4) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou a equipe a agir com “extrema prudência” em relação ao aumento de tarifas imposto pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Durante uma declaração a jornalistas na entrada do Ministério da Fazenda, Haddad comentou sobre a situação diplomática, ressaltando que “os canais diplomáticos estão abertos e as negociações com o governo dos Estados Unidos estão em andamento”.
Quando questionado sobre a postura do governo brasileiro diante das políticas protecionistas de Trump, o ministro optou por não se aprofundar no tema, devido à instabilidade das ações do governo americano, que, de acordo com ele, geram incertezas no cenário internacional. “Com as constantes mudanças nas decisões de Washington, não há uma linha clara de ação. A cada 24 horas, a situação pode ser diferente, o que torna difícil uma avaliação definitiva. O que eu disser agora pode ser refutado amanhã, dependendo dos desdobramentos”, explicou.
Haddad ressaltou que, apesar das incertezas, a alta tarifa americana se mantém vigente apenas para a China, e que o governo brasileiro prefere aguardar para tomar uma posição definitiva. “Nosso foco é manter o diálogo. O Brasil tem uma relação histórica de negociações com os Estados Unidos, e estamos em constante contato com eles há algumas semanas”, afirmou.
Quanto ao papel do Brasil na diplomacia, o ministro destacou o trabalho eficiente do país durante as negociações. “Não termos sido um dos maiores alvos das tarifas é resultado da nossa diplomacia de qualidade”, afirmou Haddad.
Além disso, o ministro comentou sobre a possibilidade de ampliar as parcerias comerciais do Brasil. Ele afirmou que o país está expandindo suas relações comerciais com os três maiores blocos econômicos globais, mas rejeitou qualquer ideia de subordinação a qualquer um desses blocos. “O Brasil continuará investindo no multilateralismo, como sempre orientou o presidente Lula. Essa postura diplomática permanece inalterada e é um princípio fundamental do governo atual”, concluiu.