Hamas oferece libertação total dos reféns em troca do fim da guerra em Gaza

Taher al-Nounou, conselheiro de Ismail Haniyeh, faz declaração à AFP

Nesta segunda-feira (15), um alto representante do Hamas declarou que o grupo está disposto a libertar todos os reféns israelenses sob seu poder, desde que o governo de Israel concorde com o encerramento das hostilidades na Faixa de Gaza.

A afirmação foi feita por Taher al-Nounou, assessor direto de Ismail Haniyeh, líder político do movimento. Em entrevista concedida à agência AFP, al-Nounou afirmou que o Hamas aceita discutir a soltura dos reféns como parte de um acordo abrangente de troca de prisioneiros, que envolva o fim da guerra, a retirada total das tropas israelenses da região e a liberação irrestrita de ajuda humanitária ao território palestino.

“Temos disposição para libertar todos os reféns israelenses, desde que haja um fim definitivo da guerra”, afirmou al-Nounou. Para ele, o principal entrave para o avanço das negociações seria a postura de Israel, que estaria recuando nos compromissos assumidos, impedindo um cessar-fogo e insistindo na continuidade do conflito armado.

Atualmente, uma delegação do Hamas participa de uma nova rodada de negociações no Cairo, com mediação de Egito, Catar e Estados Unidos, em busca de um novo cessar-fogo. Informações do portal israelense Ynet indicam que a proposta em análise prevê a libertação de 10 reféns vivos, com garantias americanas de que Israel iniciaria uma segunda fase de trégua logo depois.

Durante a pausa anterior nos combates, entre 19 de janeiro e 17 de março, o Hamas libertou 33 reféns, incluindo oito já falecidos, enquanto Israel soltou aproximadamente 1.800 prisioneiros palestinos.

Apesar dos diálogos, o Hamas continua rejeitando qualquer possibilidade de desarmamento, condição imposta por Israel para pôr fim ao confronto. “As armas da resistência não estão em pauta nas negociações”, afirmou al-Nounou.

O atual conflito teve início em 7 de outubro de 2023, após um ataque coordenado do Hamas ao sul de Israel que resultou na morte de 1.218 pessoas, em sua maioria civis, de acordo com os dados israelenses compilados pela AFP. Na ocasião, 251 indivíduos foram sequestrados; destes, 58 seguem detidos em Gaza, sendo que o exército de Israel acredita que 34 já estão mortos.

Por outro lado, o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, reportou que 1.574 palestinos morreram desde que Israel retomou suas operações militares em 18 de março. Desde o início da guerra, o número total de vítimas fatais no território palestino já ultrapassa 50 mil, alcançando a marca de 50.944 mortes, segundo o órgão local.