Lula expressa apoio à Dinamarca sobre a Groenlândia frente à ameaça de Trump

Presidente do Brasil reitera convite para a primeira-ministra visitar o país no segundo semestre

Nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma ligação da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Durante a conversa, o tema da Groelândia foi abordado, especialmente após as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de anexar o território. Lula, por meio de suas redes sociais, destacou que expressou a solidariedade do Brasil à Dinamarca em relação à questão. “Reforçamos a importância da defesa dos princípios do multilateralismo, com ênfase no livre comércio”, escreveu o presidente.

A Groelândia, que é um território dinamarquês, esteve no centro das conversas entre os líderes, com o presidente brasileiro aproveitando para reiterar o convite para que Frederiksen visite o Brasil ainda neste ano. A visita está prevista para o segundo semestre e incluirá sua participação na COP-30 e na Cúpula Brasil-União Europeia, evento cujo calendário será definido em breve. “Estamos comprometidos em avançar nas negociações para a finalização do acordo Mercosul-União Europeia, especialmente porque o Brasil assumirá a presidência do Mercosul no segundo semestre, enquanto a Dinamarca presidirá a União Europeia”, afirmou Lula.

Lula também mencionou que discutiu com a primeira-ministra dinamarquesa o cenário geopolítico atual, ressaltando a disposição do Brasil e da China em contribuir para a resolução do conflito na Ucrânia. Ele sugeriu que ambos os países poderiam atuar de forma ativa por meio do “Grupo de Amigos da Paz”.

A questão da Groelândia, que antes era uma mera especulação de Trump, se transformou em uma proposta formal do governo americano. A Casa Branca avançou com um plano para adquirir a ilha, que é parte do território dinamarquês. O valor estratégico e econômico da Groelândia aumentou à medida que o derretimento do gelo no Ártico abre novas possibilidades, o que tem atraído maior interesse dos Estados Unidos.

Recentemente, o Conselho de Segurança Nacional dos EUA se reuniu diversas vezes para discutir e planejar ações relacionadas à aquisição da Groelândia. Embora haja rumores sobre uma possível ação militar, fontes do governo afirmam que essa opção nunca foi considerada seriamente. O governo americano, no entanto, tem mobilizado diferentes departamentos para dar continuidade ao plano.

No mês passado, Trump compartilhou um vídeo nas redes sociais, no qual celebrou o “sangue e a bravura” das tropas americanas que estiveram na Groelândia durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de evitar uma invasão alemã após a ocupação da Dinamarca.