Os 12 anos do pontificado de papa Francisco foram marcados por constantes apelos pela paz em meio a conflitos armados ao redor do mundo, com ênfase nas guerras na Faixa de Gaza e na Ucrânia, além de outros confrontos em regiões como Sudão, Congo, Líbano, Iémen e Síria.
Em sua última aparição pública no domingo (20) de Páscoa, o papa reiterou sua solicitação pela paz na Ucrânia e pelo cessar-fogo em Gaza. A luta pela paz no enclave palestino foi um dos focos constantes de seu pontificado. Quase todas as noites, Francisco entrava em contato com a paróquia de Gaza para se informar sobre as condições locais. Em seu discurso de Natal de 2024, ele expressou sua dor pela violência, afirmando: “É com dor que penso em Gaza. Ontem foram bombardeadas crianças. Isto é crueldade. Isto não é guerra.”
Além disso, o papa sugeriu que a comunidade internacional considerasse a possibilidade de que a ofensiva militar de Israel em Gaza fosse um genocídio contra o povo palestino, e defendeu, incansavelmente, a entrada de ajuda humanitária no território, apesar dos bloqueios israelenses. Em setembro de 2024, ele criticou os excessos militares de Israel, dizendo: “A defesa deve ser sempre proporcional ao ataque. Quando algo é desproporcional, há uma tendência de dominação que ultrapassa os limites da moralidade.”
Em relação à guerra na Ucrânia, Francisco também se mostrou profundamente preocupado. Ele, juntamente com outros representantes do Vaticano, manteve diálogos com autoridades russas e ucranianas na tentativa de mediar uma trégua e facilitar a troca de prisioneiros. Em novembro de 2022, antes de completar um ano de conflito, o papa chamou a guerra de uma “nova guerra mundial”, refletindo sobre o histórico de guerras do século 20 e a crescente influência da indústria bélica.
Na última encíclica papal, publicada em outubro de 2024, Francisco alertou sobre o impacto das guerras na humanidade, afirmando que o mundo estava perdendo “seu coração” devido à indiferença e à busca incessante por poder. Ele mencionou a dor das avós que choram pelos netos mortos em conflitos e a devastação das famílias que perdem tudo. “Ver as avós chorar sem que isso se torne intolerável é um sinal de um mundo sem coração”, disse.
No contexto de seu pontificado, a encíclica Laudato Si’, de 2015, já havia alertado sobre o aumento das guerras, enfatizando que o esgotamento de recursos poderia levar a novos conflitos disfarçados de justificativas nobres. O papa Francisco permaneceu uma voz firme contra as guerras, clamando por um mundo mais compassivo e pela restauração da paz global.