Presa no 8/1, estudante de Medicina da USP agora é considerada foragida

Estudante rompe tornozeleira eletrônica e não comparece à Justiça, aponta relatório

Roberta Jersyka Oliveira Brasil Soares, estudante de medicina da Universidade de São Paulo (USP), está foragida após descumprir as condições de sua liberdade provisória. Ela foi detida por sua participação nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e, desde então, estava cumprindo medidas cautelares. Segundo informações da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas de Fortaleza (CE), Roberta foi flagrada rompendo a tornozeleira eletrônica que usava desde que foi libertada, em agosto de 2023.

De acordo com o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e datado de 14 de março de 2025, a estudante vem descumprindo as condições de sua liberdade desde maio do ano passado. Um dos requisitos não cumpridos é o comparecimento semanal ao tribunal, que ela também deixou de cumprir. O ofício enviado ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso, destacou a falha em comparecer à Justiça nas datas estabelecidas, especificamente nas segundas-feiras, como exigido.

O descumprimento da medida cautelar foi formalmente registrado pela Coordenadoria de Monitoração Eletrônica de Pessoas (COMEP), que alertou sobre o rompimento da tornozeleira eletrônica em 25 de maio de 2024. O sistema de monitoramento eletrônico indicou a violação do dispositivo, o que levou ao alerta formal. Desde então, a estudante permanece fora do alcance das autoridades.

Natural de Fortaleza e com 37 anos, Roberta Jersyka estava cursando sua segunda graduação em medicina na USP quando decidiu viajar a Brasília no início de 2023. Seu objetivo era participar dos protestos organizados por apoiadores de Jair Bolsonaro contra o resultado das eleições presidenciais. Durante os distúrbios, Roberta foi presa dentro do Congresso Nacional e, após sua detenção, retornou a Fortaleza em agosto, após ser liberada provisoriamente pelo STF.

Um dos momentos mais marcantes de sua prisão foi registrado por câmeras de segurança do Congresso, mostrando Roberta ajoelhada e rezando no plenário da Câmara dos Deputados. Esse vídeo foi anexado ao inquérito. Após sua soltura, a estudante gravou um vídeo mostrando a tornozeleira eletrônica que usava, conforme estipulado pela Justiça. Entre as condições de sua liberdade estavam a proibição de acessar redes sociais, sair à noite, viajar para o exterior ou manter contato com outros participantes dos atos de 8 de janeiro.

Vídeo: