Após elevação do risco de crédito dos EUA, dólar cai e Bolsa ultrapassa 140 mil pontos

No Brasil, o cenário também foi influenciado por dados econômicos, como o crescimento de 0,8% no IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), superando as expectativas

O mercado financeiro teve um dia de movimentações contraditórias, com o dólar em queda e a Bolsa brasileira avançando após declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Durante evento em São Paulo, Galípolo indicou que a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, deverá permanecer elevada por mais tempo, o que atraiu investidores estrangeiros e fez a Bolsa subir, alcançando 140.060 pontos, perto de seu recorde histórico.

A mudança no mercado veio depois que, inicialmente, a Bolsa estava em queda e o dólar subia, impulsionados pela notícia do rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela Moody’s, de AAA para AA1, devido a preocupações com o aumento da dívida pública. Este rebaixamento afetou também os mercados globais, com queda nas ações dos EUA e uma leve valorização nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

No Brasil, o cenário também foi influenciado por dados econômicos, como o crescimento de 0,8% no IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), superando as expectativas. Além disso, a previsão de inflação para este ano foi revista para baixo, marcando o quinto corte consecutivo. A agenda fiscal do governo, com medidas para garantir o cumprimento da meta fiscal, também segue sendo acompanhada de perto pelos investidores.

Apesar do cenário desafiador no exterior, com incertezas sobre a economia dos EUA e a postura fiscal do governo de Joe Biden, analistas apontam que os mercados emergentes, como o Brasil, podem se beneficiar do fluxo de capital, com investidores buscando alternativas mais atrativas do que os ativos de risco nos EUA.

No Ibovespa, os papéis do Banco do Brasil e do setor agropecuário tiveram desempenho negativo, com destaque para a queda dos lucros do BB e a confirmação de um caso de influenza aviária no Rio Grande do Sul. Já a Marfrig se destacou positivamente, com alta após anúncio de fusão com a BRF.