O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, entrou em contato nesta terça-feira (13) com autoridades brasileiras, solicitando o apoio do governo do Brasil para persuadir o presidente russo, Vladimir Putin, a participar de negociações presenciais sobre o conflito na Ucrânia. O encontro está previsto para ocorrer ainda nesta semana, na cidade turca de Istambul.
Simultaneamente, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, encaminhou pedido semelhante ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esperando que sua eventual presença nos diálogos sirva como incentivo à participação de Putin nas conversas.
Putin, por sua vez, indicou abertura para um diálogo direto com Kiev, sugerindo que a reunião aconteça depois de amanhã na Turquia. Zelensky aceitou a iniciativa e afirmou que aguarda o presidente russo no local. No entanto, até o momento, o governo russo não confirmou a ida de Putin nem comentou oficialmente sobre a possibilidade de encontro entre os dois chefes de Estado.
Segundo a assessoria de imprensa do governo ucraniano, Zelensky só aceita participar do encontro se o próprio Putin estiver presente. “O presidente não dialogará com qualquer outro representante da Federação Russa em Istambul, a não ser com Putin”, declarou o assessor Mykhailo Podolyak à agência Reuters.
O Kremlin ainda não divulgou a composição da delegação russa que estará em Istambul. Já o chefe de gabinete de Zelensky, Andrii Yermak, afirmou que a ausência de Putin representaria uma demonstração clara de que Moscou não tem interesse em encerrar o confronto militar. “A falta de compromisso pessoal será interpretada como uma recusa a buscar a paz”, disse.
Em nova declaração nesta terça, Zelensky reforçou o pedido para que Donald Trump esteja presente nas negociações. Segundo o líder ucraniano, o envolvimento direto do ex-presidente americano poderia pressionar o Kremlin a participar efetivamente. Trump, contudo, anunciou que designará seu secretário de Estado, Marco Rubio, como representante nas conversas.
Além do apelo aos Estados Unidos, a Ucrânia buscou o engajamento diplomático do Brasil. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, conversou com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, solicitando que o Brasil exerça influência junto a Moscou. Em postagem na rede social X, Sybiha escreveu: “Solicitei ao Brasil que utilize seu prestígio e credibilidade em seu canal de diálogo com a Rússia para tornar possível esse encontro em alto nível”.
Zelensky alertou ainda que, caso Putin opte por não comparecer, os aliados da Ucrânia deveriam aplicar as sanções mais severas já impostas contra Moscou. Em resposta, o Kremlin criticou duramente as exigências de Kiev. Em pronunciamento na segunda-feira (12), o porta-voz Dmitri Peskov rejeitou o tom adotado por Zelensky: “A Rússia não responde bem a ultimatos. Essa linguagem é inaceitável em qualquer circunstância”, afirmou.