Dólar oscila pouco enquanto mercado digere cenário fiscal e decisão nos EUA

Ibovespa, por sua vez, fechou em retração de 0,46%, alcançando 138.887 pontos

Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (29), a cotação do dólar frente ao real mantinha-se praticamente estável, com os investidores avaliando a decisão de um tribunal nos Estados Unidos que suspendeu grande parte das tarifas comerciais implementadas durante a gestão de Donald Trump. Ao mesmo tempo, o mercado seguia atento aos desdobramentos fiscais no Brasil.

Por volta das 9h03, a moeda americana tinha leve variação positiva de 0,08%, sendo negociada a R$ 5,7003 no mercado à vista. No ambiente futuro da B3, o contrato com vencimento mais próximo registrava avanço de 0,21%, cotado a R$ 5,704. No dia anterior, o dólar havia encerrado o pregão com valorização de 0,87%, cotado a R$ 5,695.

O Ibovespa, por sua vez, fechou em retração de 0,46%, alcançando 138.887 pontos. O desempenho foi influenciado por dados mais fortes que o previsto no mercado formal de trabalho, divulgados pelo Ministério do Trabalho por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Entre os papéis que mais pressionaram o índice, destacaram-se os ligados ao setor siderúrgico, que recuaram de forma expressiva, mesmo após o governo ter expandido a lista de itens protegidos contra importações. Especialistas avaliam que ainda há ceticismo quanto à eficácia dessa medida frente ao fluxo externo.

Outro destaque negativo ficou por conta das ações da companhia aérea Azul, que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos e terminou o dia com queda de 2,80%.

O economista e planejador financeiro Fabio Louzada, fundador da plataforma Eu Me Banco, atribuiu o desempenho negativo do índice a um movimento de correção após os ganhos da terça-feira (27). Ele também destacou que os números acima do esperado na criação de vagas formais pressionaram os juros futuros, afetando especialmente os setores de varejo e consumo.

De acordo com o Ministério do Trabalho, abril registrou a abertura de 257.528 vagas com carteira assinada. A expectativa do mercado era de 175 mil novos postos, superando também o número registrado em março, que foi de 71.576 vagas.

Com isso, o mercado passa a buscar sinais de enfraquecimento no ritmo de contratações, que poderiam servir de justificativa para o Banco Central encerrar o ciclo de alta nos juros a partir da próxima reunião.

Outro ponto de atenção para os agentes financeiros foi o encontro entre representantes de bancos e o Ministério da Fazenda para discutir o reajuste das alíquotas do IOF. O governo sinalizou possibilidade de recuo em determinados aspectos da medida, o que pode influenciar a percepção de risco.

No cenário internacional, o dólar também mostrava força frente a outras moedas. Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da corretora Nomad, o fortalecimento da moeda norte-americana estava atrelado às expectativas em torno da ata da última reunião do Federal Reserve, divulgada na quarta-feira.

Para ele, a manutenção de uma postura mais prudente por parte do Fed diante da incerteza sobre questões tarifárias sustentou a valorização da divisa no exterior. Shahini observou ainda que as moedas de países emergentes foram as mais penalizadas durante o pregão, com o real sendo impactado duplamente pelo contexto externo adverso e pelas incertezas domésticas geradas pela elevação do IOF.