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Ex-presidente admite possibilidade de irregularidades no INSS sob seu governo

Por Brasil Direto

Durante uma entrevista ao portal UOL, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reconheceu que pode ter ocorrido corrupção dentro do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ao longo de sua administração. Ele declarou apoio à criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso para investigar suspeitas de descontos irregulares aplicados a aposentadorias e pensões.

O pedido de abertura da comissão foi apresentado recentemente por parlamentares da oposição, contando com o apoio de 36 senadores e 223 deputados federais — número superior ao necessário. No entanto, a instalação da CPMI depende ainda da decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso, prevista até o momento para o dia 27 deste mês.

“Assinamos o pedido de CPMI. A esquerda, incluindo PT, PSOL e PDT, não assinou. Que se investigue. Corrupção zero é uma utopia. Sempre pode haver algo fora da linha. Agora, os casos estão vindo à tona no governo Lula”, disse Bolsonaro. Ao ser questionado se considera possível que tenham ocorrido irregularidades durante sua gestão, ele respondeu afirmativamente: “É possível. Se alguém cometeu erro no meu governo, que responda por isso.”

As suspeitas se baseiam em investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Os órgãos apuram um esquema que teria desviado recursos de aposentados mediante cadastros não autorizados em associações e sindicatos, com consequentes descontos indevidos nos benefícios. A apuração indica uso de assinaturas falsificadas e registros feitos sem consentimento.

Embora os inquéritos tenham sido iniciados em 2019, os investigadores afirmam que as irregularidades já ocorriam na gestão anterior, durante o mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). Entre 2019 e 2024, os descontos aplicados nos benefícios ultrapassaram R$ 6,3 bilhões. A PF ainda tenta determinar qual parte desse montante foi retirada de maneira ilegal.

A prática irregular teria ganhado força especialmente a partir de 2022, quando articulações no Legislativo impediram o avanço de medidas mais rigorosas para coibir esse tipo de débito. Segundo a auditoria, muitas vítimas sequer notavam os descontos, uma vez que não acessavam o sistema Meu INSS para verificar seus extratos. Além disso, os valores apareciam misturados com outros abatimentos legítimos, como empréstimos consignados e o Imposto de Renda.

Apesar da mobilização para instalar a CPMI, há resistência entre alguns parlamentares. Críticos da proposta alegam que uma comissão do Congresso poderia interferir negativamente nas investigações em curso pela Polícia Federal. Também mencionam o fato de que o problema começou antes do governo Bolsonaro, o que poderia envolver aliados da atual oposição — algo que, segundo Bolsonaro, “não deveria ser empecilho” para a apuração.

Nos bastidores, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sinalizado pouco interesse em priorizar o tema. Ele argumenta que já há outras comissões em andamento e que o regimento da Casa limita o número de CPIs simultâneas a cinco — a proposta relacionada ao INSS ocupa atualmente a 13ª posição na fila.

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