Governo brasileiro vê risco de crise com EUA após fala sobre sanções a Moraes

Fontes do governo brasileiro revelam que a primeira intenção do Planalto foi emitir uma resposta enérgica à fala de Rubio

Autoridades brasileiras e americanas intensificaram os diálogos nos últimos dias diante das ameaças feitas pelo governo do presidente Donald Trump ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Através de canais diplomáticos, o Brasil sinalizou aos EUA que qualquer tentativa de aplicar sanções ao magistrado poderia comprometer seriamente a relação entre os dois países.

O tema veio à tona de forma pública na última quinta-feira, quando o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, mencionou durante uma audiência no Congresso que sanções contra Moraes estão sendo consideradas — a primeira manifestação oficial do governo norte-americano sobre o assunto.

Fontes do governo brasileiro revelam que a primeira intenção do Planalto foi emitir uma resposta enérgica à fala de Rubio, por entender que tal atitude representa um ataque à soberania nacional. No entanto, o Itamaraty sugeriu uma abordagem mais cautelosa, alegando que a escalada nas discussões não seria estratégica. O receio era de que um posicionamento mais duro pudesse servir de combustível político para Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se exilou nos EUA alegando perseguição por parte de Moraes, e atua hoje como um crítico ferrenho do governo Lula.

Diplomatas brasileiros também avaliam que, além da motivação política, existe por trás dessas ameaças um interesse por parte de grandes empresas de tecnologia. O STF tem se posicionado a favor de regulamentar essas plataformas, e duas gigantes do setor já moveram ações judiciais contra Alexandre de Moraes no estado da Flórida.

Paralelamente, os dois países seguem em tratativas desde março para evitar que medidas protecionistas do governo Trump prejudiquem as exportações brasileiras. Recentemente, o presidente norte-americano anunciou novas tarifas: 25% sobre o aço e o alumínio importados globalmente, com uma taxa adicional de 10% especificamente aplicada aos produtos enviados do Brasil.