Assessores próximos ao presidente Lula (PT) avaliam que uma eventual sanção por parte do governo de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, seria vista como um ataque direto às instituições brasileiras. No entanto, não há consenso sobre a melhor forma de reagir.
A possibilidade de punições por parte dos EUA vem sendo cogitada há algum tempo, mas ganhou força após declaração recente do secretário de Estado, Marco Rubio, que apontou a chance concreta de adoção de medidas contra Moraes. O gesto foi interpretado por aliados de Lula como interferência externa em assuntos internos do Brasil.
Parte da equipe do governo defende uma resposta cautelosa, evitando reações precipitadas que poderiam acirrar tensões com Washington. O grupo lembra que o Brasil busca negociar a redução de tarifas sobre produtos como aço, e que envolver-se diretamente nesse embate pode prejudicar as conversas. Essa ala sugere aguardar ações concretas antes de se posicionar oficialmente.
Outra vertente do governo entende que a ameaça americana já exige uma resposta política firme, uma vez que envolve também o contexto doméstico. Eles argumentam que o silêncio pode fortalecer narrativas bolsonaristas de perseguição e censura.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, condenou publicamente as declarações de Rubio e criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro, que tem atuado nos EUA defendendo punições contra Moraes. Já ministros como Gilmar Mendes e Jorge Messias também se manifestaram, destacando que qualquer interferência externa é inaceitável e atenta contra a soberania nacional.
A OAB, por meio da Comissão de Estudos Constitucionais, divulgou nota expressando repúdio à possibilidade de sanções a magistrados brasileiros, classificando a iniciativa como uma violação da autonomia do país.