Ministro do Trabalho critica juros altos e defende fim da jornada 6×1

Marinho defende mobilização por redução da jornada de trabalho

Durante ato em comemoração ao Dia do Trabalho nesta quinta-feira (1º), na zona norte de São Paulo, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a economia brasileira enfrenta um cenário adverso devido aos juros elevados. Segundo ele, a criação do crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada (CLT) tem sido uma ferramenta importante para garantir acesso a financiamento com condições mais acessíveis. Estima-se que cerca de R$ 10 bilhões já tenham sido liberados por meio desse recurso, que Marinho classificou como um “direito do trabalhador”.

O ministro também defendeu mudanças nas jornadas laborais, propondo o fim da escala 6×1 e uma mobilização em prol da redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas. Ele destacou que a alteração deve ser definida pelo Congresso Nacional, mas acredita que uma transição é viável e necessária, especialmente para melhorar as condições das trabalhadoras.

Outra pauta apresentada por Marinho foi a inclusão obrigatória, em convenções coletivas, de cláusulas que assegurem remuneração igualitária entre homens e mulheres que exercem a mesma função. Ele ainda fez um apelo ao setor empresarial para que promova reajustes salariais, defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e pediu que empresários passem a enxergar seus funcionários também como consumidores, destacando que o fortalecimento do poder de compra impulsiona a economia.

“Não se trata de mágica, é preciso engajamento e articulação para promover essas mudanças”, reforçou o ministro.

O evento contou ainda com a presença do ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência, que destacou conquistas do atual governo, como a valorização real do salário mínimo e a igualdade salarial entre os gêneros. Segundo ele, o presidente Lula já recebeu as principais demandas das centrais sindicais em reunião no dia 29 de abril.

A proposta de revisar a escala 6×1 foi tema recorrente entre os representantes sindicais no ato. Marinho afirmou que o fim do modelo tradicional pode trazer ganhos não apenas aos trabalhadores, mas também às empresas, ao melhorar a autoestima e o desempenho dos empregados. Ele ressaltou que, mesmo que novas escalas sejam previstas em acordos coletivos, a mudança constitucional é o ponto de partida.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, e o da Força Sindical, Miguel Torres, apoiaram a proposta, mas reconhecem que será necessário um esforço de convencimento da população e do Congresso. “A mobilização popular será fundamental para pressionar os parlamentares a aprovarem a mudança”, afirmou Nobre.

Por outro lado, representantes dos setores industrial e comercial se opõem à proposta, alegando que a redução da jornada pode elevar os custos das empresas, comprometer a competitividade e estimular a informalidade. Eles defendem que a organização do trabalho deve ser discutida entre empregadores e trabalhadores, com base em acordos coletivos.

A discussão sobre a carga horária se intensificou após o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), no Rio de Janeiro, trazer à tona o debate sobre qualidade de vida e produtividade. Apesar da resistência, as centrais sindicais apostam na conscientização e na articulação política para levar adiante a proposta.