A Comissão de Transparência do Senado aprovou nesta terça-feira (6) um pedido para que o recém-nomeado ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, compareça ao Congresso a fim de prestar esclarecimentos sobre os problemas envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Queiroz assumiu a liderança da pasta há apenas quatro dias, após mudanças recentes no ministério.
No requerimento apresentado pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR), destaca-se a importância de garantir o controle público e a atuação fiscalizadora do Legislativo diante do impacto social e econômico da situação. “Dado o alcance das fraudes e suas consequências, é imprescindível que o atual titular da Previdência se manifeste para assegurar a transparência e a proteção dos direitos dos beneficiários da seguridade social”, justificou o parlamentar.
O Ministério da Previdência tornou-se o centro de uma crise após virem à tona denúncias de cobranças indevidas aplicadas sobre benefícios pagos a aposentados e pensionistas. O caso gerou forte reação política e, no Congresso, cresce a pressão por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue o escândalo.
Em resposta à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por substituir o então ministro Carlos Lupi, promovendo Wolney Queiroz, que ocupava o cargo de secretário-executivo, para comandar a pasta.
As denúncias estão sendo investigadas pela Polícia Federal por meio da Operação “Sem Desconto”, que revelou a existência de descontos irregulares realizados por entidades conveniadas ao INSS. Conforme apurações iniciais, o esquema teria movimentado cerca de R$ 6 bilhões ao longo dos últimos anos.
Em entrevista concedida ao jornal O Globo, Carlos Lupi reconheceu que já tinha conhecimento dos aumentos nos descontos aplicados sobre os benefícios previdenciários em nome de associações, mas admitiu que demorou a adotar medidas. Apesar disso, afirmou não ver motivos para se afastar completamente da gestão federal.
A operação, autorizada pela Justiça do Distrito Federal, envolveu agentes federais e auditores fiscais na tentativa de desmontar um esquema nacional de cobranças indevidas em aposentadorias e pensões. Estima-se que entre 2019 e 2024, os valores descontados ultrapassem R$ 6,3 bilhões — embora ainda esteja em apuração a proporção efetivamente fraudulenta dessa quantia.