Na última quarta-feira (21), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou mais um momento polêmico ao receber o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em Washington. A reunião, que tinha como pauta oficial a discussão de possíveis acordos bilaterais, acabou sendo marcada por um episódio de tensão diplomática.
Durante o encontro, realizado no Salão Oval da Casa Branca, Trump exibiu inesperadamente um vídeo que, segundo ele, mostraria um cemitério de agricultores brancos supostamente assassinados por negros na África do Sul. “É uma cena aterrorizante, nunca presenciei algo assim”, afirmou Trump ao apresentar o material. Surpreso, Ramaphosa questionou a origem das imagens: “O senhor sabe onde esse local fica exatamente, Presidente?”. Trump, por sua vez, admitiu que não sabia, mas insistiu que se tratava de uma área sul-africana.
Segundo informações do New York Times, o momento foi visto por assessores como uma espécie de encenação provocativa. Fontes relataram que Trump parecia disposto a criar um clima de confronto direto, interrompendo o presidente visitante em várias ocasiões. “Estão confiscando propriedades das pessoas”, declarou Trump, alegando que cidadãos brancos estariam sendo mortos no país africano.
Membros da equipe da Casa Branca revelaram, em caráter reservado, que foram pegos de surpresa pelo comportamento do então presidente norte-americano, e que não havia qualquer indicação prévia de que ele planejava levantar acusações contra Ramaphosa.
As alegações de Trump sobre um suposto “extermínio” de brancos na África do Sul teriam surgido, de acordo com reportagens, a partir de queixas feitas por empresários do setor de tecnologia local, que perderam incentivos governamentais após mudanças políticas promovidas por Ramaphosa. Até o momento, porém, não há evidências concretas que sustentem as acusações feitas por Trump.