Botox avaliado em R$ 7 milhões é achado em galpão a 54 km de local do roubo

A ação foi realizada por agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que encontraram a carga em uma câmara refrigerada no imóvel

Uma operação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo resultou na recuperação de parte significativa de uma carga de toxina botulínica, avaliada em cerca de R$ 7 milhões, que havia sido subtraída dias antes nas imediações do aeroporto de Guarulhos. O material foi localizado na tarde de quarta-feira (11) em um galpão industrial situado em Embu das Artes, a aproximadamente 54 km do local do roubo.

A ação foi realizada por agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que encontraram a carga em uma câmara refrigerada no imóvel. Segundo o órgão, a quantidade exata de produtos recuperados não foi divulgada, mas foram identificadas ao menos 87 caixas da marca AbbVie.

O responsável pelo galpão, localizado no bairro Pirajussara, foi detido pelas autoridades. Durante o interrogatório, ele reconheceu que o botox estava armazenado no local, porém alegou que a carga foi deixada ali por pessoas desconhecidas. A polícia ainda não confirmou sua ligação direta com o roubo.

O homem foi autuado por receptação qualificada. De acordo com nota divulgada pelo Deic, as investigações prosseguem a partir das evidências e documentos recolhidos, com o objetivo de desmantelar toda a organização criminosa envolvida.

Roubo milionário no aeroporto
O assalto ocorreu na tarde de 6 de junho, em uma área pública do sítio aeroportuário de Guarulhos onde empresas de logística mantêm seus caminhões. Pelo menos cinco criminosos participaram da ação, invadindo o local e subtraindo duas cargas importadas da Holanda contendo toxina botulínica. O valor estimado dos produtos chega a R$ 7 milhões.

Durante o crime, dois funcionários — um motorista de 52 anos e um conferente de 37 — foram feitos reféns e permaneceram sob poder dos assaltantes por aproximadamente dez horas, sendo libertados apenas na madrugada do sábado (7). As vítimas foram alimentadas e receberam R$ 60 para retornar para casa com um motorista de aplicativo.

O motorista havia acabado de sair com o caminhão da área alfandegária e estacionado para aguardar autorização de viagem, quando foi abordado por um homem encapuzado que anunciou o assalto. O criminoso informou que o colega dele, o conferente, também já havia sido rendido. Pouco depois, outros quatro integrantes do bando chegaram em outro caminhão-baú.

Os ladrões simularam um problema na trava do compartimento de carga e conseguiram acesso ao conteúdo. Fizeram a transferência dos produtos para outro veículo e mantiveram os reféns presos dentro de um dos caminhões. Em seguida, o grupo deixou o local tranquilamente, utilizando os tíquetes do estacionamento para evitar chamar atenção, e seguiu rumo à Via Dutra, escoltado por outros comparsas em carros de passeio.

Os reféns foram libertados no km 19,5 da rodovia Ayrton Senna, ainda na Grande São Paulo. Além de devolverem os celulares das vítimas, os criminosos deram instruções para que chamassem transporte por aplicativo.

Concessionária comenta o caso
Em comunicado oficial, a GRU Airport — concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos — informou que o assalto ocorreu em área pública do sítio aeroportuário, utilizada por empresas terceirizadas. Ressaltou que o terminal de cargas não foi invadido e reiterou seu compromisso com a colaboração nas investigações. “A GRU Airport se solidariza com as vítimas do crime e se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações no que for preciso”, afirmou a empresa.

Fonte: Folha de S.Paulo