Uma nova crise pode mexer com toda a indústria automotiva e até parar a fabricação em diversos países. A China está limitando severamente a exportação de metais raros utilizados em inúmeras partes dos carros, criando o risco de um desabastecimento global.
Desde o começo de abril, a China restringiu as exportações de sete tipos de terras raras e materiais relacionados. Os minerais são utilizados em diversas aplicações, como baterias, lâmpadas de led, TVs e equiapmentos médicos como máquinas de Raio-X. Até mesmo a indústria militar utiliza estes materiais, tanto em veículos quanto em armamentos.

Uma interrupção das exportações da China é o suficiente para paralisar diversas indústrias. O país é responsável por 61% das terras raras extraídas mundialmente, o que por si só já mostra a força do governo chinês. No entanto, a China também é responsável por 92% do processamento da matéria-prima, então mesmo os elementos extraídos em outros países como Estados Unidos precisam passar pelos chineses para ter alguma aplicação.
Sem as terras raras, a indústria automotiva já antecipa uma paralisação. A associação dos produtores de autopeças da Europa (CLEPA) afirma que diversas linhas de montagem estão paradas e, em alguns casos, até fábricas inteiras. Já na Alemanha, a associação das fabricantes de automóveis (VDA) emitiu um alerta sobre o fechamento temporário das fábricas por falta de estoque.
Hildegard Mueller, presidente da VDA, explicou à agência Reuters que as terras raras vão além das baterias, sendo usados também em imãs que são aplicados em vários componentes, como os motores dos limpadores de parabrisa ou os sensores dos freios.

Um grupo formado por General Motors, Hyundai, Toyota, Volkswagen e outras fabricantes enviaram uma carta para o Governo Trump sobre o problema, pedindo por uma solução: “Sem um acesso confiável a estes elementos e imãs, os fornecedores automotivos serão incapazes de produzir componentes críticos para os carros, incluindo transmissões automáticas, corpo de borboleta, alternadores, diversos motores, sensores, cintos de segurança, alto-falantes, luzes, direção elétrica e câmeras.”
Para diversos analistas, a movimentação da China é vista como uma forma de pressionar os Estados Unidos após o governo Trump ter colocado altas tarifas de exportação sobre os produtos chineses. Os dois países começaram a conversar após os EUA recuarem sobre os 145% de impostos, no entanto então um acusa o outro que está quebrando a trégua.
Europa, Índia e Japão estão organizando um encontro com os oficiais em Pequim para conseguirem reverter a situação e liberar a exportação, evitando um desabastecimento.