As intensas chuvas que atingem o estado do Rio Grande do Sul desde o início da semana já obrigaram aproximadamente 4.500 pessoas a abandonarem seus lares, de acordo com o balanço mais recente divulgado nesta quinta-feira pela Defesa Civil estadual. Ao menos 90 municípios relataram algum tipo de prejuízo causado pelos temporais.
Do total de afetados, 1.583 pessoas estão atualmente abrigadas em estruturas públicas, enquanto outras 2.993 tiveram que buscar refúgio em residências de familiares ou amigos. Duas mortes foram confirmadas e uma pessoa permanece desaparecida.
Em Santa Maria, um dos municípios mais afetados, foram registrados 36 episódios de alagamento, além de uma inundação e até o desabamento de uma estrutura. Trinta e quatro residências foram danificadas, forçando 128 moradores a deixarem seus lares. Em Alegrete, o transbordamento do rio Ibirapuitã deixou 90 indivíduos desabrigados e outros 164 desalojados. Já em Bento Ribeiro, diversas rodovias foram obstruídas e áreas próximas a cursos d’água foram tomadas pelas enchentes. Entre os atingidos, estão moradores de 42 casas e de uma comunidade indígena.
Na manhã desta quinta-feira, a Defesa Civil estadual emitiu alerta de risco elevado de inundações em rios como o Ibicuí, Jacuí, Caí e Taquari, com destaque para cidades como Manoel Viana, Cachoeira do Sul, Charqueadas, Estrela e São Sebastião do Caí. A recomendação de atenção vale até esta sexta-feira.
As regiões mais impactadas até o momento são a Fronteira Oeste e a área Central do estado, conforme informou o governador Eduardo Leite (PSD) por meio de suas redes sociais. “Estamos acompanhando com atenção especial os Vales do Taquari e do Caí, onde há possibilidade de os rios ultrapassarem a cota de inundação”, escreveu. Ele também alertou para a chance de deslizamentos de terra em regiões montanhosas da Serra, dos Vales e da zona central.
Um retrato dramático da situação foi registrado por imagens aéreas captadas por drones no município de Mata. O fotógrafo local Álvaro Taschetto divulgou registros da destruição provocada pelas chuvas. Em conversa com o jornal O GLOBO, ele expressou sua preocupação: “Moro aqui há anos. Sempre enfrentamos chuvas fortes, mas nunca vi algo dessa magnitude. A cidade está completamente isolada, ilhada mesmo”, afirmou. “Dessa vez, o impacto foi muito mais devastador do que nas enchentes anteriores. Mais casas foram atingidas, e estruturas como pontes e aterros foram levadas.”
Nos vídeos divulgados por Taschetto, é possível ver ruas inteiras submersas e moradores sendo retirados de barco das zonas mais críticas.
Uma das vítimas fatais foi uma mulher de 54 anos que desapareceu após o carro em que estava ser arrastado pela força da água ao tentar atravessar uma área alagada em Candelária. Um homem de 65 anos, que também estava no veículo, segue desaparecido. Inicialmente, chegou-se a divulgar que ambos haviam sido encontrados, mas a informação foi corrigida pela Defesa Civil.
A segunda morte confirmada aconteceu em Nova Petrópolis. Um jovem de 22 anos teve o corpo encontrado dentro de um carro pelos bombeiros voluntários. As circunstâncias da morte ainda estão sendo investigadas pelas autoridades.