Durante um evento realizado na Avenida Paulista no último domingo (29), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não deseja ser preso ou morto, e reforçou um pedido de apoio político para as eleições de 2026. Segundo ele, a conquista de 50% da Câmara dos Deputados e do Senado seria essencial para transformar o rumo do país, permitindo a eleição dos presidentes das Casas, o controle de comissões estratégicas e a indicação de nomes para agências reguladoras e o Banco Central.
Bolsonaro, atualmente inelegível até 2030 por decisão do TSE, declarou que não busca o poder por vingança ou desejo pessoal, mas sim por acreditar no futuro do Brasil. Ele também destacou que, mesmo sem se candidatar novamente à Presidência, sua liderança como presidente de honra do PL será suficiente para influenciar o cenário político.
O ato contou com a presença de figuras políticas como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como possível candidato à Presidência em 2026.
O ex-presidente voltou a se defender das acusações relacionadas à tentativa de golpe em 8 de janeiro, afirmando que não houve corrupção e que está sendo processado com base em suposições. Ele rejeitou a ideia de golpe alegando ausência de armas, apoio institucional e participação das Forças Armadas. Citou ainda nomes como José Múcio, Aldo Rebelo, José Sarney e Nelson Jobim, que também teriam questionado essa narrativa.
Bolsonaro defendeu a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, alegando que muitos são inocentes e que esse gesto seria uma forma de pacificar o país. Reforçou que a Constituição prevê a anistia e sugeriu que quem cometeu danos materiais deve arcar com as consequências, mas sem punições generalizadas.
O evento, organizado pelo pastor Silas Malafaia sob o lema “Justiça Já”, foi marcado por duras críticas ao Supremo Tribunal Federal. Malafaia chamou o ministro Alexandre de Moraes de “ditador” e o acusou de censura e prisão por opinião. Parlamentares como o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) também se manifestaram contra as decisões da Corte, especialmente sobre o controle das redes sociais.
Durante o discurso, Bolsonaro elogiou o filho Carlos Bolsonaro, a quem atribuiu um papel central na sua eleição, chamando-o de “cérebro” da campanha. Também mencionou a compra de vacinas contra a covid-19 durante seu mandato, mas reiterou sua decisão pessoal de não se vacinar como uma escolha por liberdade.
Ao falar sobre as eleições de 2022, Bolsonaro alegou que houve interferência do TSE no processo eleitoral, o que, segundo ele, teria influenciado o resultado. Ele ainda criticou a soltura do presidente Lula e afirmou que, embora a transição de governo tenha sido pacífica, não entregaria a faixa presidencial a alguém que considera corrupto.