Coreia do Norte prepara envio de tropas e apoio militar à Rússia nos próximos meses

Além do apoio humano, a NIS afirmou que a Coreia do Norte já enviou à Rússia um arsenal superior a 10 milhões de munições de artilharia, mísseis e armamentos de longo alcance

A Coreia do Norte deverá intensificar sua participação no conflito entre Rússia e Ucrânia, com previsão de envio de mais efetivos entre os meses de julho e agosto, segundo informou a Agência de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) durante reunião confidencial com parlamentares nesta quinta-feira (26). A informação foi divulgada pela agência sul-coreana Yonhap News.

Fontes da imprensa russa apontam que Pyongyang se prepara para despachar aproximadamente 5 mil operários militares da construção civil e cerca de mil sapadores — profissionais especializados em atividades florestais estratégicas, como prevenção de incêndios e gestão de território — para a região de Kursk, reforçando os vínculos militares entre os dois países.

Segundo relataram os parlamentares Park Sun-won, do Partido Democrático, e Lee Seong-kweun, do Partido do Poder Popular, que estiveram presentes na sessão informativa, o regime norte-coreano já iniciou os trâmites de alistamento para essa nova operação. Ainda conforme a Yonhap, a decisão pode ter sido motivada pela recente visita do secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu, que esteve em Pyongyang para se encontrar com o líder Kim Jong-un.

Além do apoio humano, a NIS afirmou que a Coreia do Norte já enviou à Rússia um arsenal superior a 10 milhões de munições de artilharia, mísseis e armamentos de longo alcance. Em contrapartida, Moscou estaria fornecendo suporte técnico e auxílio econômico. A cooperação tem sido estratégica para os avanços das tropas russas, que atualmente mantêm domínio sobre cerca de 81% das regiões ucranianas de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.

Durante o mesmo briefing, a NIS também chamou atenção para a possibilidade de uma nova ofensiva russa nos próximos dois meses, além de alertar para a instabilidade contínua no Oriente Médio. Apesar do cessar-fogo firmado entre Irã e Israel, a agência considera plausível uma retomada dos combates, a depender das tensões internas e dos desdobramentos políticos regionais.