Diesel brasileiro atinge maior defasagem desde janeiro com salto no petróleo

Na abertura dos negócios nesta segunda-feira (23), o preço do diesel no mercado nacional apresentava uma diferença de R$ 0,58 por litro em relação ao valor de referência internacional

A recente valorização do petróleo no mercado internacional elevou significativamente a defasagem entre os preços praticados no Brasil e os valores de paridade de importação, especialmente no caso do diesel. O atual cenário faz com que a diferença nos preços internos atinja níveis semelhantes aos observados em janeiro de 2025, pouco antes do primeiro reajuste promovido pela Petrobras neste ano. Apesar disso, o mercado ainda não aposta em um aumento imediato nos preços por parte da estatal.

Na abertura dos negócios nesta segunda-feira (23), o preço do diesel no mercado nacional apresentava uma diferença de R$ 0,58 por litro em relação ao valor de referência internacional, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Nas refinarias da Petrobras, essa defasagem era ainda maior, chegando a R$ 0,61 por litro.

Esses números representam os maiores patamares desde 22 de janeiro, cerca de dez dias antes da Petrobras anunciar um reajuste de R$ 0,22 por litro, o primeiro de uma série de quatro movimentações de preços ao longo do ano — sendo os três seguintes, reduções.

Em relação à gasolina, a diferença é menor, mas ainda relevante. O preço médio interno está R$ 0,24 abaixo da paridade, e R$ 0,26 nas refinarias da estatal. Esses valores também são os mais altos desde o fim de janeiro. O aumento da demanda nos Estados Unidos durante o verão contribui sazonalmente para a alta no valor do produto no mercado externo.

Na semana anterior, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou que a companhia deve esperar mais um pouco antes de revisar seus preços, justamente para não repassar flutuações provocadas por tensões geopolíticas aos consumidores. Segundo ela, o contexto de alta nos preços do petróleo ainda é recente, com apenas cinco dias de duração até aquele momento, o que indicaria cautela na tomada de decisão. Fontes internas indicam que essa postura segue inalterada.

A intensificação do conflito entre Israel e Irã e a possível entrada dos Estados Unidos no cenário bélico elevaram o temor quanto à interrupção do transporte de petróleo pelo canal de Hormuz, por onde transita cerca de 25% do consumo global da commodity. Esse fator tem pressionado os preços no exterior.

Na abertura do mercado asiático nesta segunda, o petróleo tipo Brent alcançou o maior valor dos últimos cinco meses, embora tenha recuado ligeiramente após sinalizações de que uma ação militar mais ampla por parte dos EUA não seria iminente.

De acordo com Étore Sanches, analista da corretora Ativa, mesmo com a devolução parcial dos ganhos na sexta-feira, o Brent segue em alta pela terceira semana consecutiva, elevando as preocupações com os efeitos da crise energética sobre a inflação global.

Especialistas do banco UBS avaliam que, mesmo sem uma definição oficial do aiatolá Ali Khamenei sobre um possível bloqueio do canal de Hormuz, o mercado deve continuar incorporando um prêmio de risco no preço do petróleo no curto prazo.

Embora o petróleo mais caro represente uma vantagem para a balança comercial brasileira — já que o país é atualmente um relevante exportador da commodity — e beneficie a arrecadação pública e as petroleiras que atuam no território nacional, essa alta também traz desafios.

Roberto Monteiro, presidente da petroleira independente Prio, comentou que, apesar do caráter trágico de conflitos, o Brasil se encontra em posição privilegiada por estar livre de instabilidades geopolíticas e manter produção expressiva de petróleo.

No entanto, o aumento nas cotações impõe pressão sobre a política de preços da Petrobras. Analistas do Itaú BBA observam que, embora o petróleo valorizado seja positivo para a companhia, um preço “excessivamente alto” pode dificultar a manutenção da atual estratégia de precificação, o que desperta preocupação entre investidores.