Na manhã desta segunda-feira (9), o dólar iniciou o dia em leve baixa, cotado a R$ 5,5567, influenciado por dois fatores principais: o anúncio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre alterações no IOF, e a expectativa de um novo diálogo entre Estados Unidos e China para tratar da guerra comercial.
Na sexta-feira anterior (6), a moeda americana havia encerrado em queda de 0,29%, contrariando sua valorização global. No acumulado da semana, o dólar registrou baixa de 2,63% e, no ano, já recua quase 10%.
Apesar de a Bolsa brasileira ter fechado praticamente estável, o mercado de ações nos EUA avançou mais de 1%, impulsionado pelos dados positivos de emprego divulgados pelo Departamento do Trabalho dos EUA. Foram criadas 139 mil vagas em maio — acima do esperado — com a taxa de desemprego mantendo-se em 4,2% pelo terceiro mês consecutivo.
O especialista Matthew Ryan comentou que “o mercado de trabalho dos EUA está mostrando uma resiliência notável diante da incerteza em torno das tarifas do presidente Trump”, destacando que não há sinais de que empresas estejam freando contratações por causa das medidas comerciais. Ele acrescentou: “Os salários estão subindo a um ritmo saudável, e no ritmo mensal mais rápido desde janeiro, o que deve complicar os esforços do Federal Reserve para atingir sua meta de inflação de 2% em breve”.
Christian Iarussi também comentou: “Esses dados reforçaram a percepção de que a maior economia do mundo segue aquecida o que, por um lado, é positivo para o sentimento global, mas por outro sem dúvidas reduz as apostas em cortes mais agressivos de juros pelo Federal Reserve”.
Mesmo assim, investidores ainda projetam dois cortes de juros pelo Fed este ano, sendo o primeiro em setembro. O presidente Donald Trump voltou a pressionar o banco central americano por medidas mais rápidas. “A Europa teve dez cortes de juros, nós não tivemos nenhum. Apesar dele [Powell], nosso país está indo muito bem”, afirmou ele no Truth Social.
Outro elemento que influenciou os mercados foi a notícia de que três representantes do governo americano iriam se reunir em Londres com autoridades chinesas. A retomada do diálogo animou investidores. O presidente Trump e o líder chinês Xi Jinping conversaram por telefone, retomando o contato direto após meses. Trump declarou que pretende visitar a China futuramente, caso Xi também vá aos EUA.
No Brasil, além do cenário externo, pesa também o ambiente político. A redução na popularidade do presidente Lula, apontada em pesquisas como a Genial/Quaest, que mostra 43% de avaliação negativa, tem gerado preocupação entre investidores sobre possíveis aumentos de gastos públicos para tentar reverter esse quadro.