As operações no Aeroporto Internacional de Guarulhos voltaram a ser prejudicadas na noite do último sábado (21) após a identificação de drones sobrevoando a região. O incidente gerou impacto em dezenas de voos, causando atrasos e transtornos para passageiros e companhias aéreas.
Esta foi a segunda vez, em menos de duas semanas, que o espaço aéreo no entorno de Cumbica precisou ser interditado por causa desse tipo de ocorrência.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Militar atuou no atendimento inicial, mas a apuração do caso ficou sob responsabilidade da Polícia Federal.
A concessionária GRU Airport, responsável pela gestão do terminal, confirmou que os pousos e decolagens foram interrompidos temporariamente devido à presença não autorizada de drones.
No entanto, não detalhou o tempo exato em que as operações permaneceram suspensas. Em nota, a empresa afirmou:”Imediatamente, as autoridades competentes foram acionadas e as operações já estão normalizadas. A GRU Airport reforça que o uso de drones nas imediações do sítio aeroportuário coloca em risco a aviação e a integridade das pessoas.”
A companhia aérea Latam relatou que 34 de seus voos, com origem ou destino em Guarulhos, foram afetados. A empresa lamentou o ocorrido e reiterou que situações como essa estão além do seu controle, reforçando o compromisso com a segurança dos passageiros e colaboradores.
A Gol informou que apenas um de seus voos teve atraso, estimado em cerca de 30 minutos. Já a Azul declarou que suas operações não foram impactadas pela suspensão temporária.
No dia 11 deste mês, um episódio semelhante levou à interdição da pista por aproximadamente duas horas, após a detecção de drones próximos a uma das cabeceiras. Na ocasião, diversos voos foram redirecionados ou cancelados. As companhias brasileiras Latam, Gol e Azul registraram, juntas, ao menos 35 voos afetados.
As investigações em andamento também consideram a hipótese de ligação entre o uso dos drones e atividades criminosas. De acordo com a Polícia Militar, no mesmo período em que os equipamentos foram identificados no espaço aéreo, três indivíduos teriam invadido uma área restrita do aeroporto carregando cerca de 150 kg de pasta base de cocaína.
A intenção seria embarcar a carga ilícita em um voo com destino a Joanesburgo, na África do Sul. Os suspeitos conseguiram escapar após se refugiarem em uma área de mata, mas a droga foi apreendida.
O uso de drones nas imediações de aeroportos é regulado por normas específicas da Aeronáutica. Segundo a legislação vigente, voos de aeronaves não tripuladas só são permitidos com autorização da Força Aérea Brasileira (FAB). A regulamentação determina que drones que voem até 131 pés de altitude (cerca de 40 metros) devem operar a, no mínimo, 5,4 km de distância de qualquer aeródromo. Já os que voam entre 131 e 400 pés (de 40 a 120 metros) devem manter distância superior a 9 km.