O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), determinando também o bloqueio de seus bens, a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol e a remoção de suas contas em redes sociais. A medida foi tomada após a deputada deixar o país rumo aos Estados Unidos, afirmando que pretende seguir para a Europa, alegando cidadania italiana.
A ordem judicial atende a solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que justificou a medida como necessária para garantir a aplicação da lei penal, sem antecipar a execução da pena. Zambelli foi condenada recentemente a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em conjunto com o hacker Walter Delgatti, visando emitir alvarás de soltura falsos e gerar instabilidade no Judiciário.
A decisão de Moraes também impôs o bloqueio de salários, bens móveis e imóveis, contas bancárias, veículos, embarcações, aeronaves e até perfis falsos ou de familiares nas redes sociais. Caso a deputada publique algo em nome próprio ou por terceiros, será aplicada multa diária de R$ 50 mil.
Zambelli, em resposta, classificou a decisão como “inconstitucional e autoritária”, alegando violação de sua imunidade parlamentar. Também afirmou que denunciará o caso em fóruns internacionais, acusando o STF de perseguição política.
Além da condenação principal, Zambelli também enfrenta outros processos: foi declarada inelegível e teve o mandato cassado pelo TRE-SP por disseminação de desinformação nas eleições de 2022. Também já foi condenada a cinco anos de prisão em regime semiaberto por porte ilegal de arma e constrangimento, após ameaçar um homem em São Paulo na véspera do segundo turno das eleições. A parlamentar nega as acusações e se diz alvo de perseguição.