O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (4) que Vladimir Putin prometeu uma reação ao recente ataque ucraniano com drones que atingiu bases aéreas russas. A declaração de Trump foi feita em sua conta no Truth Social, mencionando que o conteúdo surgiu durante uma ligação telefônica com o presidente russo no início da tarde, pelo horário de Brasília.
Inicialmente removida, a publicação foi republicada por Trump momentos depois, reafirmando os termos da conversa.
A ofensiva aérea da Ucrânia, batizada de “Operação Teia de Aranha”, aconteceu no último domingo (1º) e atingiu 41 aeronaves russas em cinco instalações militares distintas. A ação foi vista por Kiev como ousada e considerada humilhante para Moscou, causando prejuízos significativos à força aérea do Kremlin. Durante a comunicação nas redes, Trump deu detalhes sobre o diálogo:
“Acabei de falar, por telefone, com o presidente Vladimir Putin, da Rússia. (…) Discutimos o ataque aos aviões atracados da Rússia, realizado pela Ucrânia, e também vários outros ataques que vêm ocorrendo de ambos os lados. Foi uma boa conversa, mas não uma conversa que leve a uma paz imediata. O presidente Putin afirmou, e com muita veemência, que terá que responder ao ataque recente aos aeródromos”, escreveu.
O republicano deixou claro que, com base no teor da ligação, não há perspectiva de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia a curto prazo. A declaração preocupa Kiev, especialmente diante da recente frieza no relacionamento entre os ucranianos e Washington após o retorno de Trump ao cargo.
A conversa com Putin ocorreu pouco depois de uma reunião do alto escalão do governo russo, onde o presidente questionou a disposição da Ucrânia para negociar e afirmou que o país vizinho não busca a paz.
A operação, conduzida em território russo, destruiu mais de 40 aeronaves, algumas com capacidade nuclear, a milhares de quilômetros da linha de frente do conflito. A estratégia, com ares cinematográficos, envolveu drones escondidos dentro de contêineres transportados por caminhões disfarçados.
Os veículos circularam por regiões estratégicas da Rússia, até estacionarem próximos das bases militares. No momento certo, os tetos dos contêineres foram remotamente abertos e os drones foram liberados para o ataque.
Zelensky celebrou o sucesso da operação com entusiasmo, classificando-a como “brilhante” e “nossa operação de maior alcance”.
O Ministério da Defesa russo confirmou danos em pelo menos quatro bases aéreas localizadas em Irkutsk, a mais de 4.300 km da Ucrânia e próxima da Mongólia, e também em localidades como Murmansk, no norte do país. Outros ataques teriam sido neutralizados em regiões como Amur, Ivanovo e Ryazan.
As aeronaves atingidas incluem modelos estratégicos como os bombardeiros Tu-95, Tu-22M e os A-50 — responsáveis por comando e controle aéreo. Esses equipamentos são muito mais difíceis de repor do que armamentos convencionais, e segundo informações da inteligência ucraniana citadas pelo Financial Times, os prejuízos superam US$ 7 bilhões, com cerca de 34% da frota estratégica de bombardeiros comprometida.
Fontes em Kiev revelaram que a operação foi planejada ao longo de 18 meses, sob supervisão direta do presidente Zelensky e do chefe do serviço secreto doméstico, Vasyl Maliuk. Ainda segundo os ucranianos, os EUA não foram informados previamente da ação.