Zambelli entra na lista vermelha da Interpol após ordem de prisão do STF

A PGR afirmou que a intenção não era antecipar o cumprimento da pena, mas sim garantir a efetividade da legislação pena

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) teve seu nome inserido na lista de difusão vermelha da Interpol, após solicitação feita pela Polícia Federal. A medida, aprovada pela organização internacional, permite que Zambelli seja detida fora do território brasileiro. O pedido partiu da Polícia Federal com base em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou sua prisão preventiva na última quarta-feira (4). A deputada deixou o Brasil após a sentença imposta pelo STF, que estabeleceu mais de 10 anos de reclusão.

Além do mandado de prisão, Moraes determinou o bloqueio de diversos bens ligados à parlamentar, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e o salário que ela recebe pela Câmara dos Deputados. Também foi determinada a retirada de suas contas de plataformas digitais como YouTube, Telegram, X (ex-Twitter), TikTok, LinkedIn, Meta e Gettr. Caso utilize perfis de terceiros, a decisão prevê uma multa diária no valor de R$ 50 mil. As ordens foram emitidas após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

A PGR afirmou que a intenção não era antecipar o cumprimento da pena, mas sim garantir a efetividade da legislação penal. Em resposta, Zambelli divulgou nota classificando a decisão como “autoritária, inconstitucional e ilegal”. Ela defendeu que, conforme a Constituição Federal, um parlamentar só pode ser preso em flagrante e por crime inafiançável — o que, segundo ela, não se aplica ao seu caso. Ainda segundo a deputada, houve violação da imunidade parlamentar e desrespeito ao devido processo legal.

Atualmente, Zambelli tenta reverter a condenação com a apresentação de embargos de declaração. Apesar da pena imposta pelo STF, a sanção imediata já em vigor é a perda dos direitos políticos por oito anos, contados desde os eventos ocorridos em 2022, quando ela foi apontada como responsável pela inserção de dados falsos no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).